
Mais de 4 mil pessoas lotaram o Ginásio do Sport Club Juiz de Fora para acompanhar o JF Fight
O Ginásio do Sport Club Juiz de Fora foi palco no último sábado do JF Fight Evolution, evento de mixed marcial artes (MMA) que reuniu mais de 4 mil pessoas. Mas a sensação de quem participa de um evento desse tipo é parecida com a de um espetáculo musical: arquibancadas cheias, música alta – do hip-hop americano aos clássicos do rock’n’roll -, jogo de luzes, locução em alto e bom som e muitas mulheres bonitas. Mas, fora do "palco", os bastidores das arenas dos gladiadores do terceiro milênio revelam uma outra realidade.
A preparação dos lutadores começa muito tempo antes do combate propriamente dito. A intensidade do treino é aumentada gradativamente, à medida que a data da luta se aproxima. Mas, nos últimos dias – normalmente após a pesagem oficial – o treino é interrompido para que a "energia seja acumulada para o combate", segundo o lutador Marcelo Cruz. "A preparação é muito desgastante. Sofremos muito, por isso a nossa ansiedade para entrar no ringue é imensa", contou o atleta da 011 MMA Team, pouco antes de entrar no octógono. Paulo Vinícius "Zeca" (Mamute Team) vê essa tensão pré-combate de forma positiva. "Eu consigo transformar essa ansiedade em adrenalina na hora da luta, o que vira uma combustível a mais."
Se a ansiedade pré-luta é grande para os atletas, ela é maior para alguns que não entram no ringue mas possuem outras obrigações. No caso da fisioterapeuta Fabiene Balbino, a tarefa é cuidar das lesões do atleta Ascheley Haila (ATS/ TFT Team), que é seu marido."Admito que fico muito nervosa, mas como sei do talento dele e das coisas das quais ele abre mão pelo esporte. Só fico muito preocupada quando tem muito sangue após o combate", confessa Fabiene.
Respeito mútuo
A amizade entre os atletas de MMA parece ser grande, pelo que se viu nos vestiários do Sport no último sábado. Minutos após trocarem pontapés, socos e voadoras, os lutadores demonstraram um grande respeito mútuo – como deixa claro o registro do repórter fotográfico Marcelo Ribeiro da cordial conversa entre o ubaense José Roberto Silva da Rocha (José Negão) e o juiz-forano Abner Soares . "Isso aqui é o nosso esporte. É trabalho. Acho que hoje consegui fazer minha melhor apresentação, e o Abner tem muito mérito nisso. Fizemos um grande espetáculo", afirmou José Negão, que venceu o colega (BTT Team), mas vai gastar parte do prêmio no dentista, já que perdeu um dente no embate.
Ring girls e casais
A grande presença feminina no evento também chama atenção dos marinheiros de primeira viagem. As mulheres mais famosas são as rings girls. Em Juiz de Fora, antes de cada combate e no intervalo entre os rounds, as irmãs Rayani Marques e Nayara Marques monopolizavam as atenções dos espectadores (e lutadores) do evento. "É uma verdadeira massagem no ego. Uma terapia. É realmente muito bom ouvir tantos elogios, nos dedicamos bastante para chegar a essa forma", admite Rayani.
As mulheres não estavam só representadas por aquelas em trajes menores. Muitos casais optaram por trocar o tradicional cinema de sábado à noite por um programa alternativo, caso de Marta Freitas e Jean Alvimar. "Foi ela que praticamente me obrigou a vir aqui hoje", garante Jean. "Sempre gostei de luta, tinha curiosidade de saber como é ao vivo, e essa foi uma boa oportunidade", destacou a representante do sexo "frágil" do casal.

