Com quase 80% dos votos a favor, o Conselho Deliberativo do Sport Club Juiz de Fora decidiu pela construção de um shopping center onde hoje existe a sede do clube, situado entre as Avenidas Brasil e Rio Branco, no Centro. Foram 175 votos a favor da proposta, enquanto 46 rejeitaram e cinco preferiram anular o voto, ou seja, aprovação de 77,43%.
No total, 226 integrantes participaram da votação, que aconteceu entre 8h30 e 13h de domingo (10), sendo que o universo dos possíveis eleitores, segundo informações da diretoria, era de aproximadamente 470 pessoas. Hoje a sede está deficitária, a arquibancada está caindo, e o ginásio, sem condições de uso. Não há dinheiro para a recuperação. O associado nos deu mais um aval, mostrando que estamos caminhando para o rumo certo, afirmou o presidente do Verdão, Paulo Cézar Gasparete.
O foco da direção agora é conseguir o destombamento da arquibancada e da sede social, protegidas pelo patrimônio desde 2011. Precisamos buscar a Câmara Municipal, a Prefeitura, pois é a palavra do clube, do sócio, e não mais da diretoria. O Poder Público não pode fechar os olhos para uma oportunidade de gerar 4 mil empregos na cidade, argumenta Gasparete.
Caso o tombamento seja revertido, a expectativa é que as obras de construção do shopping comecem imediatamente. A previsão da Saphyr Shopping Centers, responsável pelo empreendimento, é de um prazo de dois anos para a entrega. A proposta de incorporação do clube a um estabelecimento comercial define que, acima dos três pavimentos comerciais com cinema, lojas e praça de alimentação, ficaria a nova sede, com a estrutura para os sócios. O Sport Club Juiz de Fora também iria receber R$ 18 milhões de luvas na transação, e o clube teria direito a 10% do lucro do empreendimento.
Na Justiça
Apesar da aprovação em assembleia dos sócios-proprietários do Sport, o grupo contrário ao movimento busca alternativas para evitar a construção do empreendimento. Algumas ações serão realizadas a partir do momento em que o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural da Funalfa (Comppac) receber um pedido formal de destombamento. Mas temos certeza que a Funalfa não irá cometer uma irresponsabilidade desta, afirmou o ex vice-presidente do clube, Márcio Guerra, lembrando que a antiga sede social e a arquibancada do Sport Club, projetadas por Arthur Arcuri, foram tombadas por seu valor histórico, artístico, técnico e cultural.
Outro fator aumenta a confiança do grupo. Na última semana, um pedido para o tombamento da piscina do clube, a primeira piscina suspensa da América Latina, foi encaminhado ao Comppac a pedido dos sócios beneméritos Edson Costa e Luiz Carlos de Oliveira Soares. Nas palavras de Guerra, caso o conselho opte pelo destombamento, muitos sócios podem entrar na Justiça para evitar a construção do empreendimento – seja em ações individuais ou em grupo.
