Pelados
A sentença é de Oswald de Andrade. Quando o português chegou/ Debaixo duma bruta chuva/ Vestiu o índio/ Que pena! Fosse uma manhã de sol/ O índio tinha despido/ O português. O problema da Fifa em relação à Copa do Brasil foi ter desembarcado por aqui em uma manhã de sol e confrontado com um indiozinho nada amistoso chamado Romário. Em uma só tacada, na última terça-feira, o nativo desnudou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e, de quebra, Ricardo Teixeira, herdeiro da capitania hereditária CBF.
Durante audiência pública para debater o Projeto de Lei da Copa, o nosso indiozinho citou uma carta divulgada pelo jornalista Andrew Jennings em que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, teria chamado Valcke de chantagista. No mesmo fôlego sugeriu a renúncia de Ricardo Teixeira da presidência da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) caso seu nome apareça no dossiê sobre recebimento de propina.
Agora, antes de pensar em reeditar um massacre contra os nativos, Jérôme Valcke e Ricardo Teixeira deveriam mensurar a estatura do oponente. Para se ter uma ideia do tamanho da encrenca, na última pelada dos deputados, Romário enquadrou ninguém mais que o ex-pugilista e deputado Popó. Batedor de pênaltis oficial do time, o indiozinho foi surpreendido quando o lutador baiano colocou a bola na marca e chutou para fora. Sem pestanejar, Romário chamou Popó na responsabilidade e avisou: Não faça mais isso.
