Ranzinza
Caros e caras, hoje acordei ranzinza. Também, pudera. Quem gosta do esporte brasileiro teve um final de semana terrível e deve estar, como eu, cuspindo caixas e mais caixas de marimbondos vivos e ferroando. Começou com a ‘derrota’ da Seleção do Mano – não aceito o gol do Fred como consolo – para o Paraguai, no sábado. Na manhã de domingo, mesmo com a melhora da Ferrari, nem pódio o Felipe Massa conseguiu na Fórmula 1 e, mais tarde, até a turma do Bernardinho nos provou que podia ser derrotada, caindo diante da Rússia.
Mas o que mais me doeu foi a derrota da Seleção Feminina. Não pelo resultado em si ou pelos pênaltis ou pelas meninas terem levado o gol de empate que os provocou no último minuto da prorrogação. Isso tudo foi sofrido, mas o que mais me tocou foram as lágrimas das companheiras de Marta.
A camisa 10 do Brasil tem mercado, ganha grana e tem a vida resolvida, assim como duas ou três colegas de Seleção. Mas a grande maioria do elenco do Brasil ainda passa aperto e se sacrifica para tentar viver o sonho de, quem sabe um dia, ter uma vida confortável, retirando seu sustento do futebol. O choro de jogadoras como Rosana, Ester, Aline e Fabiana vem carregado não só da decepção pela derrota, mas da certeza que tiveram um momento único para inflamar os brasileiros e alavancar um esporte que ainda é muito pouco incentivado no país, e a chance se foi.
Isso me deixou triste e chateado. Mas fiquei ranzinza mesmo ao perceber que essas meninas, que lutaram tanto e, como é da vida, caíram, não terão o mesmo reconhecimento que a maioria dos marmanjos e garotos que hoje trata com pouca responsabilidade o fato de estar vestindo a camisa do Brasil, representando o país na Copa América. Estou certo de que se o sustento de Neymar e Pato dependesse principalmente de seu desempenho com a Seleção (e não dos milhões de dólares que seus clubes lhes pagam) eles teriam deixado de gracinha e, ao invés de tentar assinar com letras douradas as chances que tiveram contra o Paraguai, teriam feito o que interessa: o gol.
