Ícone do site Tribuna de Minas

Na torcida pelo irmão camarada

PUBLICIDADE

Pode-se dizer que o ano de 2011 vai ficar marcado para sempre na carreira de um jogador juiz-forano de futebol. Campeão da Copa São Paulo de Juniores em janeiro, o meia-atacante Thomas Jaguaribe Bedinelli, 18 anos, viu sua vida se transformar rapidamente nesta temporada. De promessa da base do clube carioca a opção frequente do técnico Vanderlei Luxemburgo entre os titulares nos profissionais, o atleta de Juiz de Fora vem se firmando com a camisa do Rubro-Negro. Mas, não é só Thomas quem vive intensamente esse processo. Em sua cidade natal, amigos próximos curtem tanto quanto o jovem valor do Flamengo sua ascensão. Mesmo que isso signifique ter que torcer para um time rival.

O futebol sempre foi um aspecto importante na vida de Thomas e, através dele, o jovem atleta do Flamengo fez amizades como a com Mário Manzolillo Neto, 18, hoje estudante de administração. "Ele se mudou para o meu prédio há uns sete, oito anos. Logo no primeiro dia, deixou um recado dizendo que quem quisesse jogar bola era só ligar para seu apartamento. Assim, chamei, ele desceu para o pátio e nos conhecemos", conta Manzolillo.

PUBLICIDADE

Na escola, a dedicação e habilidade com a bola nos pés chamavam a atenção dos colegas desde muito cedo. Até um apelido peculiar Thomas ganhou por conta disso. "Eu o conheci quando entrei na Academia de Comércio, na quinta série, com 7 anos. Sempre jogamos as peladinhas juntos, de brincadeira mesmo. Todo mundo chamava ele de ‘Thomazinho do futebol’, de tanto que ele jogava e era ligado no esporte", lembra o estudante Gabriel Toledo, 19.

 

Uma felicidade para ser compartilhada

Os mais próximos de Thomas dizem que desde cedo ele já demonstrava, além da habilidade, a força de vontade e a dedicação necessárias para se tornar um jogador profissional. "Ele sempre levou o futebol a sério desde novo. Jogava e treinava futsal pela Academia, e ao mesmo tempo treinava também futsal no Bom Pastor. Depois, foi para o Sport, onde jogou futsal e fez a transição para o campo, com o objetivo claro de se tornar jogador profissional. Conversava conosco sempre falando desse sonho, foi para o Botafogo com isso na cabeça e se transferiu para o Flamengo em busca de mais condições de se desenvolver. Ou seja, nunca perdeu o foco do que queria e trabalhou muito para isso acontecer", relembra Gabriel.

Hoje, os colegas matam a saudade de Thomas através da internet e nas rápidas visitas dele a Juiz de Fora, como aconteceu na última semana, quando o jogador rubro-negro fez uma partida festiva com seus colegas e distribuiu autógrafos na quadra da Academia de Comércio. Mas, é ao vê-lo jogando suas primeiras partidas como profissional com a camisa do Flamengo que o sentimento de orgulho aflora e os amigos vibram.

PUBLICIDADE

Flamenguista, Mário Manzolillo diz ter alegria dupla quando assiste aos jogos do Fla. "Agora, tenho mais um grande motivo para acompanhar meu time. O Thomas é um cara que merece muito. Já falei com ele: ‘dá uma alegria aí para a gente’. Ele estando em campo é como se eu estivesse também. Fico muito emocionado ao vê-lo no Mengão."

Já o botafoguense Gabriel tem que dividir o coração quando o amigo entra em campo com a camisa do rival. "Não é bom ver jogo do Flamengo, mas, pelo Thomas, faço esse sacrifício. Quando ele trocou a base do Botafogo pela do Fla, já fui me acostumando com a ideia. Mas só torço para o Flamengo quando o Thomas está em campo. No resto do tempo, continuo contra."

PUBLICIDADE

 

Vira-folha

Se há uma posição que sofre com um meia-atacante rápido, habilidoso e objetivo é a de goleiro. Estar na quadra ou no campo para evitar que Thomas fizesse das suas não era uma missão muito agradável. Pelo menos na opinião do goleiro Bernardo Galil, 17 anos, ex-companheiro de Thomas no Clube Bom Pastor e no Sport, tanto no futsal quanto no campo.

PUBLICIDADE

"O Thomas sempre jogou para frente e fez muitos gols. Era uma vantagem muito boa tê-lo ao nosso lado e, quando estava contra, era complicado. No futsal, partia para cima mesmo, e no campo, com mais espaço, aí ele se aproveitava da habilidade e velocidade para deixar os marcadores malucos. Ninguém conseguia tirar a bola dele", conta Bernardo, que entrega o companheiro: "Ele era botafoguense doente, víamos jogos juntos. Aí, teve que virar essa folha. E eu junto. Agora, quando ele está em campo, tenho que torcer pelo Flamengo", diz.

O goleiro, hoje com 1,90m, também tenta seguir carreira no futebol, e conta com os conselhos do ex-companheiro de clube para persistir na luta por um lugar ao sol. "O Thomas nunca ficou mascarado. Ele sempre me diz para nunca desistir, mesmo que as coisas não pareçam boas. Diz para eu treinar sempre e estar preparado, que uma hora vai chegar a oportunidade."

 

PUBLICIDADE

 

Treinador e grande incentivador

Importante na formação de Thomas, o técnico de futsal do Bom Pastor, Sérgio Moraes, trabalhou com o jogador rubro-negro desde cedo. "Ele é o típico caso de alguém que nasceu para jogar bola. Seu pai (Otávio) percebeu logo e o incentivou muito. Por volta dos 6 anos, ele já jogava na Academia, e o Otávio me procurou para que eu trabalhasse com o Thomas com foco nos fundamentos, outra metodologia de trabalho, paralelamente ao que era feito na escola. Assim foi feito, ele continuou jogando pela Academia, mas treinando também conosco no Bom Pastor", lembra o treinador.

Ainda hoje Thomas e Moraes, que trabalharam por cinco anos até ele deixar Juiz de Fora, se comunicam frequentemente pela internet, e o tratamento do jogador com o antigo técnico é de reverência. "Ele só me chama de ‘mestre’. Sempre diz que fui eu quem o ensinei a trabalhar com a perna esquerda (apesar de destro, o juiz-forano é frequentemente escalado no Flamengo para atuar aberto pela ponta esquerda, segundo Luxemburgo, devido à facilidade que tem em jogar com as duas pernas). Mas, isso tudo foi fruto de dedicação. Ainda muito pequeno, eu proibia ele de usar a perna direita em alguns treinamentos. Cheguei até a tirar o tênis do pé direito para lembrá-lo que não poderia tocar na bola com esse pé. O Thomas chiava, achava que eu o estava perseguindo. Mas valeu", conta Moraes.

Para o treinador, a alegria de ver o antigo pupilo como profissional do Flamengo é grande, assim como seu potencial de evoluir ainda mais. "Outro dia me peguei vendo um jogo do Flamengo contra o América-MG, secando o time porque sou vascaíno, e o Thomas entrou. Chamei a família inteira para ver e torcer para ele. Muito alegre e emocionado, acabei torcendo pelo arquirrival do meu time do coração. Hoje, vejo que ele é um patrimônio do Flamengo. Se a cartolagem não atrapalhar, vai ser um jogador que alcançará muito sucesso no futebol porque, além da bola, que ele joga muito, a cabeça dele é muito boa. É um atleta diferenciado", acredita.

Sair da versão mobile