Recebi essa semana o email de um simpático torcedor do Volta Redonda, o Guilherme. Ele esteve em Juiz de Fora para acompanhar o Voltaço e viu seu time ser goleado pelo Tupi por 4 a 2 e dar adeus à Série D, nas quartas de final. Sua visita rendeu uma série de comentários sobre o comportamento de nossa torcida e a estrutura do Municipal. Entre elogios e alfinetadas, uma crítica me chamou a atenção. Dentro do estádio, nos acomodamos no meio de torcedores que vestiam as camisas do Flamengo, Botafogo, Vasco e Fluminense. A percepção do cidadão do sul-fluminense é real. Lembro quando a Tupirados surgiu, no solo sagrado de Santa Terezinha, o discurso era o mesmo. Não é bom ver camisas de outros times em jogos do Galo, bradava alguns dos fundadores da torcida. Isso naquele 1997, de recordações que mereciam ser sepultadas pelo torcedor alvinegro. Passados 14 anos, surgiram outras organizadas de ideal semelhante, mas o desfile de camisas dos grandes clubes cariocas segue o mesmo.
Até concordo que a tradição não atrapalha. Cada um tem o direito de externar sua paixão. Porém, a prática também não ajuda em nada o Tupi. Não há momento melhor para mudarmos esse costume que o primeiro jogo da final da Série D contra o Santa Cruz. É hora de colorir a cidade em preto e branco. Eu sei que muitos dos 20 mil torcedores – temos a obrigação de esgotar a carga de ingressos – também estarão atentos ao que rola no emocionante Brasileirão. Mas, mesmo que o coração esteja colorido com outras cores, é o momento de mostrar nossa casca juiz-forana, que, neste e no próximo final de semana, é alvinegra.
Acredito que não existam 20 mil camisas do Galo Carijó disponíveis no comércio da cidade. Aliás, não é fácil achar tal artigo. Vale aquela camisa velha, amarelada, rasgada, manchada. Nunca ultrapassada. Se nem mesmo uma dessas relíquias, torcedor, estiver disponível em seu guarda-roupa, não há problema. Camiseta branca ou preta todo mundo tem. Muitos dizem sonhar em preto e branco, é hora de fazer do sonho realidade.
