
Garotada treina no tatame do Bairro Ipiranga (Fotos Leonardo Costa/30-09-15)
Cenários que antes eram tomados por disputas de grupos rivais e outras ações criminosas estão se tornando, aos poucos, espaços para o esporte e para novas perspectivas de futuro. Crianças e adolescentes residentes em bairros pertencentes à região de abrangência do 27º Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais (27ºBPM) têm experimentado o esporte como alternativa para uma vida mais digna e responsável. Há seis anos, cerca de 30 jovens do Bairro Ipiranga, Zona Sul, fazem parte do projeto “Jovens para o futuro” e participam, três vezes por semana, de aulas de jiu-jítsu ministradas pelo soldado da PM Wigman Albuquerque de Carvalho. Eles têm marcado presença em campeonatos da modalidade e estão trazendo dezenas de medalhas para a casa.
Segundo o coordenador do projeto, o tenente Gilmar da Silva, ainda neste mês o projeto passará a ser realizado em outros dois bairros: São Mateus e Jardim Casablanca. Com isso, outros 60 jovens serão beneficiados. “Pensamos como foco desta iniciativa a prevenção a longo prazo, de moldar o jovem para o futuro, mostrando a ele outros caminhos possíveis para se ter sucesso, excluindo o crime, a violência e as drogas”, destaca.
Silva conta que, desde 2014, o projeto tem passado por ampliações e disponibilizado, além do jiu-jítsu, turmas de iniciação a informática e reforço escolar. Em breve vai abrigar outras modalidades esportivas. Estão previstas turmas de vôlei, em parceria com a ex-atleta olímpica Márcia Fu. “Queremos oferecer bem mais do que a prática esportiva, mas um espaço onde eles possam resgatar o respeito às autoridades e a tolerância como um todo”, destaca o policial, acrescentando que o projeto é aberto para meninos e meninas, com idades entre 4 e 16 anos.
‘É uma emoção diferente’
Além de oferecer novos caminhos às crianças e aos adolescentes, o projeto “Jovens para o futuro” é capaz de despertar novos sentimentos. Antes de participar das aulas, há quatro anos, Vitor Wagner da Silva Venâncio, 15 anos, tinha certeza que o auge de sua carreira como esportista seria levantar a taça da Copa do Mundo de futebol. Mas, ao vencer seu primeiro campeonato de jiu-jítsu, em 2014, ele viu que há outras possibilidades. “É uma emoção diferente, nunca imaginei que pudesse ser assim”, comenta. Vitor conta que o projeto o fez mudar de comportamento, tanto na família como na escola. “Eu era muito brigão e parei com isso. Agora procuro estudar e pretendo cursar educação física.”
A mãe adotiva de Vitor, a costureira Neide Aparecida Fernandes, 50, só tem a agradecer ao trabalho realizado pelo projeto. “É muito importante para a formação destes meninos, pois despertam neles o senso de responsabilidade, além da disciplina e dos valores. Espero que eles se tornem cidadãos de bem e que vejam as coisas boas que o esporte pode proporcionar”, ressalta.
A alegria de Neide não se resume apenas à trajetória de Vitor. Ela é mãe biológica de Gustavo Fernandes da Silva, 15, que também participa do “Jovens para o futuro”. Os dois já foram medalhistas em outros campeonatos, inclusive, em dois recentes: um em Juiz de Fora e outro em São Gonçalo (RJ). Em cada um deles, 13 atletas do projeto participaram. Destes, 12 conquistaram medalhas.

