Desde criança, o esporte sempre esteve muito presente na minha vida. Venho de uma família de atletas com reconhecimento estadual e nacional, que sempre serviram de inspiração e apoio para minha carreira de tenista. Porém, ainda muito novo, nunca havia passado pela minha cabeça a possibilidade de conciliar minha carreira no esporte com o estudo. Isto porque, infelizmente, a estrutura escolar e esportiva do Brasil força um jovem atleta estudante a optar entre o esporte de alto rendimento ou o ensino superior. Essa decisão se deve ao fato de, muitas vezes, não haver o apoio financeiro ou até mesmo uma agenda escolar que apoie as competições, dificultando os compromissos com treinos e viagens para competir.
Eu cresci no Brasil e desde muito novo sempre pratiquei o tênis de campo. Em certo período da minha vida, em que as competições nacionais e internacionais se tornaram cada vez mais frequentes, manter boas notas na escola e boa performance em campo se tornou cada vez mais difícil. O ensino médio foi a fase mais desafiadora. No último ano, precisei tomar a decisão de concluir os estudos a distância, pois o sistema de estudos da minha escola presencial não daria para conciliar com o tênis de competição.
Esse foi um dos motivos que me incentivaram a buscar mais informações sobre o sistema de educação americano, onde eu teria a chance de conciliar meus estudos e minha carreira no tênis de campo. A cultura norte-americana apoia muito o esporte. A liga universitária é composta por três divisões regidas pela NCAA (National Collegiate Athletic Association) e duas divisões sob as regras da NAIA (National Association of Intercollegiate Athletics). As organizações e suas divisões possuem algumas diferenças entre si, mas todas elas oferecem a oportunidade para estudantes de praticarem e competirem em vários esportes, enquanto estudam para completar o ensino superior.
Durante essa pesquisa sobre estudar nos Estados Unidos, acabei sendo contactado por algumas universidades americanas, devido ao meu ranking nacional e internacional. Ao contrário do que muitos pensam, a liga de tênis universitário americano é muito competitiva e de alto nível. Vários tenistas que hoje possuem ótimos resultados no circuito profissional passaram pelo tênis universitário. Alguns dos grandes nomes são: John Isner, Cemeron Norrie e Kevin Anderson, que chegou a ser número 8 do ranking mundial.
Sendo assim, após várias reuniões e conversas pelo Skype com os treinadores, eu aceitei a proposta da Coastal Carolina University (CCU), na cidade de Myrtle Beach, estado da Carolina do Sul.
A Coastal tem uma estrutura esportiva de alto nível e vantagens para os atletas que pesaram na escolha da CCU como meu destino após a conclusão do ensino médio. Porém, um dos fatores mais importantes foi o programa de finanças oferecido pela universidade. A universidade conta com um programa de Gestão de Patrimônio que chamou minha atenção. São quatro anos de cursos personalizados que preparam o estudante atleta para o campo de gestão patrimonial e investimentos no mercado de ações americano. Além disso, a universidade de finanças da Coastal também oferece a possibilidade de estudantes atletas participarem das sociedades de honra, em que é possível criar uma rede de contatos com outros estudantes e graduados que trabalham no setor financeiro. Essa rede de contatos é muito importante e pode auxiliar o aluno a encontrar um emprego após o término do curso.
Falando um pouco sobre o tênis de campo, na Divisão 1, os times contam com 9 a 12 jogadores, e seis deles são escolhidos para jogar partidas de simples. No meu primeiro ano no time, comecei jogando como número 6. Após uma ótima temporada, conseguimos ganhar a nossa conferência e consequentemente um lugar no torneio nacional. No meu segundo ano, me consolidei como jogador número 2 e, no terceiro ano, estava jogando na quadra 1. Passei o terceiro e quarto anos como jogador número 1 e capitão do time, o que me ajudou a elevar meu nível de tênis e aprimorar outras características importantes para um atleta, como o psicológico. Uma das partes mais interessantes do tênis universitário americano é o formato da competição. Ao contrário do tênis clássico, em que o atleta joga sozinho (ou em duplas), na universidade você joga com outros cinco companheiros, e cada jogo ganho tem o mesmo peso para o placar final. Assim sendo, muitas vezes, nem sempre o time melhor preparado tecnicamente vence, mas sim o time que melhor trabalha em equipe. Todas estas situações que o esporte nos proporciona acaba acrescentando valores para a vida, como trabalhar em equipe, aprender a liderar, ter honestidade e dedicação.
Em 2019, no meu último ano como jogador universitário, atingi o auge da minha carreira de tenista. Terminei a temporada com 11 vitórias e 6 derrotas, jogando na posição de número 1. Terminei invicto em jogos da conferência, com cinco vitórias, e ganhei o prêmio de jogador da temporada na Sun Belt Conference, que é formada por oito times em cinco estados. Também fui eleito para o time destaque da conferência, que é formado pelos seis melhores jogadores dos oito times participantes.
Após um ano vitorioso dentro e fora das quadras, a Coastal Carolina University me ofereceu a vaga de assistente técnico, o que me deu a oportunidade de fazer um mestrado e acrescentar mais um nível na minha educação. Além de me ensinar valores e princípios que sempre levarei, o esporte me deu a oportunidade de conquistar dois diplomas em uma instituição de ensino superior de alto nível internacional. O sistema de ensino superior americano me possibilitou continuar competindo no tênis, esporte que amo e ao qual dediquei toda minha vida, além de me oferecer todas as qualificações profissionais que possuo hoje. O esporte abre portas para a vida, dentro e fora das quadras.
