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Na orelha da bola

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Senna nas Bahamas

Quer dizer então que o imaculado Ayrton Senna da Silva tinha conta nas Bahamas? Pelo menos é o que está escrito lá para todo mundo ver num arquivo que o jornalista Fábio Seixas, da Folha de S. Paulo, descobriu, com ajuda de um leitor, no site da Legacy Tobacco Documents Library.

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O documento detalha o contrato de Senna com a equipe de Fórmula 1 Lotus, válido para as temporadas de 1987 e 1988 – em 88 ele deu no pé e foi ganhar mais na McLaren, escuderia pela qual conquistaria seus três títulos mundiais. Senna recebia o dinheiro de seus contratos na F1, pelo menos naquele ano, através de uma empresa chamada Ayrton Senna da Silva Promotions Limited, sediada em Nassau, conhecido paraíso fiscal.

As Bahamas, como é sabido, são ilhas maravilhosas no Caribe, onde o dinheiro entra e fica completamente à vontade, sem ninguém para perguntar de onde veio ou para onde vai. Também por razões fiscais, Senna topou se mudar da Inglaterra para Mônaco, onde os impostos também não são uma grande preocupação.

Não cabe a mim julgar Senna ou qualquer outro defunto canonizado, não precisa ser gênio para saber que fugir de tributação não era talento exclusivo do exímio piloto e tenho cá minhas próprias opiniões com relação à sonegação de impostos aqui no Brasil, mas se há algo de bom na divulgação da existência desta empresa dele nas Bahamas é chamar a atenção do pessoal para a célebre frase de José Simão, esculhambador geral da república: não tem virgem na zona.

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