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Os pés pelas mãos

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Waldir Carlos é daqueles torcedores fanáticos. Não perde uma partida do time do coração. Religiosamente, vai ao boteco duas vezes por semana, para sofrer e sorrir com punho e copo em riste. Acontece que, naquele dia, o gaiato tinha um compromisso importante no breve tempo entre a saída do trabalho e o apito inicial. Uma confraternização de um grande amigo. Lançamento de livro! Lá foi Waldir, bebericar uma cerveja entre velhos colegas. Papo vai. Papo vem. Garçom vai. Garçom vem. "Garçom, vem cá e coloca a saideira. Está na hora do jogo", desculpou-se e partiu de forma esbaforida.

O sovina entrou no táxi contando notas amassadas. Ordenou: "Pé na tábua!". O taxista sorriu lentamente, na velocidade em que guiava o carro velho. Ao descer, Waldir jogou duas notas de R$ 10 desbotadas no painel. "Fique com o troco!" O sorriso interior revelava que não havia troco. Uma vingança pelo motorista ter respeitado as placas que indicavam velocidade máxima de 40 km/h.

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Chegou ao bar, e a bola já rolava há dez minutos. Entre o coquetel e o passeio de táxi, sua bexiga havia se tornado mais importante que o futebol. Cumprimentou os amigos, "opa", e correu para o banheiro. À medida que conseguia aliviar-se, "ah", um burburinho ecoava cada vez mais intenso no boteco. "Ahhhhh!" "Goooool!" Waldir saiu do banheiro sem lavar as mãos, em tempo de ver o replay.

Apesar do gol, o jogo correu tenso. "Volta para o banheiro, Waldir!" "Coloca uma TV velha no W.C. que ele vai ver de lá." Um misto de mística e brincadeiras dominavam as frases. Aos 45 minutos, resolveu atender aos apelos – não dos amigos, mas de sua bexiga – e voltou à "casinha". No meio do caminho, "uhhhhh"! Bola na trave! "Fica por aí de uma vez!"

Veio o segundo tempo. Waldir marcou mais dois gols direto do banheiro. Deixou o bar com dom reconhecido. Despediu-se tirando onda: "O meu xixi é de ouro!"

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