
Com três passagens pelo Tupi e uma trajetória que começou em Juiz de Fora, Léo Condé construiu uma carreira sólida no futebol brasileiro. Nos últimos anos, conquistou títulos estaduais no Nordeste, comandando o Ceará e o Sampaio Corrêa, além do inédito Campeonato Brasileiro da Série B pelo Vitória, em 2023. No Leão, também foi campeão baiano.
De volta à Juiz de Fora enquanto define os próximos passos da carreira, o treinador participou do Dá Jogo, programa ao vivo transmitido no Youtube da Tribuna de Minas, sobre o mercado da bola, modelo de jogo e os desafios do calendário atual, com novidades nas Séries A e B. Na entrevista exclusiva, o profissional admitiu ter recebido propostas como do Sport Recife e que também analisa a chance de treinar clubes do exterior.
Confira abaixo a entrevista completa:
Dá Jogo – Você teve três passagens pelo Tupi. O time de 2014, que quase subiu para a Série B, é especial?
Léo Condé – “Sem dúvida. Aquele ano de 2014 foi muito importante na minha carreira. Fizemos uma grande Série C, lideramos toda a primeira fase, com uma das maiores pontuações. Infelizmente não veio o acesso contra o Paysandu, mas foi uma equipe que guardo com muito carinho. Tínhamos bons jogadores, muitos depois se destacaram nacionalmente. Ali foi uma virada de chave.”
Dá Jogo – Sua história começa em Juiz de Fora e no próprio Tupi. Como foi esse início?
Léo Condé – “Minha trajetória começou na escolinha do Tupi. Depois trabalhei quatro anos e meio no América, três anos e meio no Atlético, nas categorias de base. Voltei para dirigir o profissional do Tupi entre 2009 e 2011. Rodei por outros clubes e retornei em 2014. Minha origem se mistura com o futebol de Juiz de Fora, principalmente com o Tupi.”
Dá Jogo – Depois vieram trabalhos marcantes no Nordeste, com títulos importantes. Como você avalia esse período?
Léo Condé – “Os últimos três trabalhos no Nordeste consolidaram minha carreira. O Sampaio Corrêa foi uma ponte importante. Fizemos duas boas campanhas de Série B, ficamos em sexto e em quinto. Em 2023, no Vitória, conseguimos o acesso e o título da Série B, o maior da história do clube. Depois veio o título baiano e, no Ceará, o acesso e o Campeonato Cearense.”
Dá Jogo – O título da Série B com o Vitória foi o ponto mais alto da sua carreira?
Léo Condé – “Acredito que sim. Foi a temporada mais importante, pelo acesso à Série A e pela conquista do título. É um clube de história riquíssima e grande torcida. Aquilo abriu ainda mais portas.”
Dá Jogo – Você está em Juiz de Fora neste momento. Já tem algo certo para 2026?
Léo Condé – “Minha base é aqui, minha família mora aqui. Sempre que posso, volto. Sobre 2026, apareceram sondagens, principalmente de Série B e também algumas de Série A. Mas eu quis dar uma descansada. Desde a pandemia emendei Sampaio, Vitória e Ceará. É muito desgastante. Depois do Carnaval, devo fazer uma escolha com calma. Não tem nada fechado.”
Dá Jogo – Houve proposta concreta? E o mercado exterior é uma possibilidade?
Léo Condé – “Teve uma proposta do Sport, quando saí do Ceará, isso foi público. Mas entendi que não era o momento. Sobre o exterior, estou aberto. O treinador brasileiro busca recuperar espaço. Já houve possibilidades antes, mas achei que precisava me consolidar primeiro aqui. Talvez agora seja o momento.”
Dá Jogo – Seu modelo de jogo mudou ao longo da carreira?
Léo Condé – “A gente tem uma ideia base, mas precisa se adaptar. No início, no Tupi, eu precisava me consolidar e muitas vezes priorizar resultado. Em 2014 já conseguimos um time mais agressivo, mais propositivo. Ao longo dos anos, tive equipes mais ofensivas e outras mais reativas. Depende do elenco, do orçamento, do contexto da competição.”
Dá Jogo – O treinador brasileiro precisa se adaptar mais do que o europeu?
Léo Condé – “Sem dúvida. Aqui, muitas vezes você não consegue contratar o jogador com a característica ideal para sua ideia. O treinador europeu, nas grandes ligas, escolhe o perfil no mercado mundial. Aqui você trabalha com o que tem. No Ceará, por exemplo, eu tinha o Pedro Raul como referência. Quando perdi, senti dificuldade.”
Dá Jogo – Como foi enfrentar técnicos como Abel Ferreira, Rogério Ceni e Dorival?
Léo Condé – “Foi muito enriquecedor. Cada um tem uma característica. O Palmeiras é muito agressivo defensivamente, o Flamengo trabalha muito com posse, outros mesclam bloco médio, pressão. A gente aprende muito nesses confrontos. Mas no Brasil tudo é pautado em resultado. O tempo só existe quando o resultado acompanha.”
Dá Jogo – O novo calendário, com menos pré-temporada e jogos importantes logo no início, é um problema?
Léo Condé – “É um ano de adaptação. Uma equipe leva 12, 15 jogos para atingir seu melhor nível físico e tático. Isso acontece no mundo inteiro. O estadual é importante, mas para quem joga Série A e B o calendário é pesado. Vai ser preciso ajustar.”
Dá Jogo – O futebol brasileiro evoluiu em relação à Europa?
Léo Condé – “Evoluiu, sim. Hoje os principais jogadores da América do Sul estão no Brasil. Os clubes investem mais. Conseguimos competir, como vimos no Mundial. Mas o nível de investimento europeu ainda é maior. Mesmo assim, técnica e taticamente, estamos mais próximos.”
Dá Jogo – A Série B agora terá playoff de acesso para a terceira e quarta vagas. O que achou?
Léo Condé – “Depende do ponto de vista. No Sampaio fiquei em quinto e sexto, poderia ter disputado. Com o Ceará, fiquei em quarto. Pode trazer mais emoção, mas também aumenta a pressão. A Série B já é muito equilibrada. Vai mudar bastante a estratégia.”
Dá Jogo – Você acompanha o Tupi? O que você acha que é necessário para que a equipe volte a ser competitiva?
Léo Condé – “Fico muito triste, porque minha história se mistura com a do Tupi. Juiz de Fora é uma cidade que vive futebol. O torcedor nunca abandonou o clube, sempre compareceu no belo estádio que temos. Tudo se faz com planejamento e aspecto financeiro. Mirassol tem uma cidade pequena, mas tem um grande investidor. O Tupi precisa disso, mesmo que seja buscando por fora. Fico na torcida para que uma empresa séria resgate o Tupi.
