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Na orelha da bola

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Um novembro alvinegro

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Foi uma tarde aprazível no Mário Helênio domingo passado. Tirando alguns amigos meus que se recusaram a comprar passagens para Recife antes do jogo decisivo contra o Oeste, todo mundo tinha certeza da classificação do Tupi. Portanto, quem esteve no Municipal subiu não para ver um jogo disputado, mas para comemorar com o time o acesso para a Série C e a conquista da vaga na final contra o Santa Cruz, que calhou de cair no feriadão. Não fosse isso, eu cravaria uns 15 mil no Mário Helênio para o jogão que vai ser. Se bem que, do jeito que esse Tupi conquistou juiz-foranos e agregados e sepultou de vez a fama de que não ganha duelo importante em casa… quem sabe? Há de ser um domingo histórico.

No fim de semana passado, a equipe, apesar do natural oba-boa das arquibancadas, jogou de forma aplicada. A cada lance o colega Wallace Mattos – estávamos numa panelinha lá – cutucava meu ombro e destacava um jogador: Ah lá, joga muito o Vitinho. E eu, meio surdo: É. E depois vinha: Presta atenção no Ratinho, olha só, olha só… viu?!. E eu, bem surdo: É. E foi assim, um gol do Vitinho quando ainda estávamos do lado de fora do Estádio, outro do Vitinho quando estávamos dentro e um do Adê antes de terminar a etapa inicial, que era para não faltar nada.

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Aí, no segundo tempo foi aquele negócio: rapaziada empolgada pela cerveja pré-jogo fazendo planos para ir ao Recife, quem sabe uma tapioca com pau do índio em Olinda, um gole no guaraná aqui, outro na soda limonada ali, comentários a respeito de John, o companheiro Ricardo Miranda, radinho colado na orelha, murchando visivelmente a cada gol do Flamengo em cima do Cruzeiro, todos comemorados efusivamente por uma patota rubro-negra que estava uns dez degraus abaixo, o gol do Oeste passando despercebido… e houve tempo para sanar uma dúvida.

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Havia um Neymar carijó lá embaixo, na primeira fila da arquibancada, barriga relando na cerca. O cabelo era igual. E quando eu digo igual eu não quero dizer parecido, eu quero dizer IGUAL. Não que eu tenha idade pra isso ou coragem ou cabelo, mas queria saber como diabos ele faz para que aquele tudo fique daquele jeito de dar inveja à Tina Turner em Mad Max – Além da Cúpula do Trovão. Comentava isso com o amigo Tairone Vale quando o Neymar genérico subiu as escadas, devia ir botar um guaraná pra dentro ou pra fora, sei lá. Aqui, aqui! Como é que você faz pra ficar com esse cabelo assim? E ele, de bate-pronto: Chapinha. E foi embora, o moicano louro meio burro fugido balançando como capim no vento morno de novembro.

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