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Classificado, vôlei busca garantias para Superliga

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Pode-se dizer que, quando a bola do central Luiz Fernando Moreira Moraes, o Dida, de 23 anos, tocou a fita da rede e caiu no lado da quadra do Funvic, no dia 2 de setembro, o sonho mais audacioso do time de vôlei da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) começou a se tornar realidade. Com a vitória na semifinal da Liga Nacional – da qual a equipe foi vice-campeã -, os juiz-foranos faziam jus também a uma vaga na Superliga 2011/2012.

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Agora, o técnico e coordenador do projeto, Maurício Bara, 37 anos, terá que se dividir mais uma vez entre treinamentos e reuniões, buscando concretizar de vez a possibilidade conquistada em quadra por seus jogadores. A UFJF precisa, até o fim de setembro, dar uma resposta à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), demonstrando garantias estruturais e financeiras de que pode disputar a maior competição do vôlei brasileiro.

Segundo Bara, são três os principais pontos a serem trabalhados. O primeiro é a questão dos ginásios a serem indicados, já que a CBV exige duas arenas por time. "Temos uma boa estrutura de treinamento, e nosso ginásio é bom. Mas, quando se fala em um jogo no qual um Giba, um Dante e um Ricardinho, por exemplo, venham jogar, não dá. Conseguimos abrigar 700 pessoas no Centro Olímpico, está dentro da exigência, mas, para uma partida de maior vulto, é impossível. Existem alguns ginásios em Juiz de Fora que, com poucas adaptações, ficam aptos a receber 2, 3 mil pessoas. Vamos conversar com os diretores de clubes, como Tupynambás e Sport, para saber se firmamos uma parceria", explica Maurício.

A questão dos atletas também terá que ser pensada. "A CBV vai bater pesado na questão dos jogadores ranqueados – a entidade exige que a equipe tenha atletas que fazem parte de seu ranking, a fim de garantir o nivelamento técnico mínimo entre os participantes da Superliga. Precisamos somar 7 pontos pelo menos – um atleta como Giba, por exemplo, tem a pontuação máxima e, sozinho, supriria a necessidade da UFJF – e complementar com outros jogadores. Temos que ver que ainda não temos um orçamento e, no momento, o mercado está praticamente fechado, com os principais atletas já com contratos em vigor", avalia Bara.

Mas, para que tudo possa se concretizar, a parte financeira é a principal. "Tem a exigência que cobre todas as outras, que é a financeira. Calculo que precisamos de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões para jogar de forma competitiva. E quando eu digo isso, é para ficar entre as dez primeiras equipes. Temos notícias de que o orçamento do RJX, por exemplo, é de R$ 13 milhões, e o atual campeão, o Sesi, projeta gastar R$ 8 milhões nessa temporada", explica Maurício.

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Mesmo correndo contra o tempo para viabilizar financeiramente a participação de sua equipe na Superliga, Bara sabe das dificuldades que irá encontrar. "Temos que levantar esse dinheiro em patrocínio direto. Sei que não á fácil, pois os orçamentos das empresas estão fechados. Mas, já temos reuniões marcadas para traçar a estratégia de abordagem e vislumbramos alguns parceiros dentro e fora da cidade. Não é um aporte pequeno, tanto para o poder público quanto para a iniciativa privada. Mas, se outras equipes trabalham dessa maneira, quer dizer que é rentável. Temos um retorno conseguido com o próprio time de Blumenau (pelo qual a UFJF foi derrotada na final da Liga Nacional, por 3 sets a 1) de que uma transmissão como foi a da decisão gera de R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em retorno de mídia aos patrocinadores", conta.

Hoje, para toda a temporada, a UFJF conta com R$ 170 mil e tem como patrocinadores o Rodoviário Camilo dos Santos e a MRS Logística – além dos apoios do Curso Pré-Universitário e da Clínica Ortra, que prestam serviços à equipe. Os atuais parceiros serão procurados. "Independentemente de disputarmos ou não a Superliga, nossos atuais patrocinadores serão contatados para dar continuidade ao projeto. Mesmo sem a competição nacional, temos outros objetivos, como o Campeonato Mineiro e os Jogos do Interior de Minas Gerais (Jimi)", diz Maurício.

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Integrantes do grupo de jogadores que conquistaram o vice-campeonato da Liga Nacional, os centrais Dida e Filipe Quirino Cipriano, de 25 anos, únicos atletas juiz-foranos do elenco, confessam que ficam apreensivos quando pensam que o direito conquistado jogando pode não se concretizar por questões extraquadra. "Dá realmente um frio na barriga. Ainda mais nós, que desejamos muito disputar uma Superliga pelo time da nossa cidade", diz Filipe. "Chego a perder até o sono. Fica aqui o apelo aos empresários para não deixarem esse sonho morrer. Tenho fé que iremos conseguir", completa Dida.

Mesmo já projetando e trabalhando para viabilizar a participação na Superliga, tanto o técnico como os jogadores não tiram da cabeça a conquista do vice-campeonato da Liga Nacional. O grupo, que volta aos treinos amanhã, após a semana de folga ainda vai lembrar por muito tempo dos momentos vividos em Saquarema e Volta Redonda.

O clima de concentração total foi destacado pelo jogadores. "Foi uma sensação boa e ruim ao mesmo tempo. Ficávamos sempre encontrando os adversários, vendo amigos, mas, com aquele pensamento: vou ganhar de você", diz Dida. "Foi tudo muito rápido. Terminava um jogo, assistíamos a outro, dormíamos, treinávamos e jogávamos. Essa era a rotina. Isso facilitou o foco total no objetivo, que era a vaga na Superliga", disse Filipe.

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A partida semifinal, contra a Funvic, vencida por 3 sets a 1, foi eleita em uníssono pelo trio como o momento mais marcante, e a percepção da conquista da vaga marcou de formas diferentes. "Estava de fora do quarto set, quando abrimos vantagem segura. Então, veio todo o sacrifício, tudo que passamos, na minha cabeça, chorei ali mesmo, no banco, antes mesmo do fim", lembra Filipe. "Ataquei a última bola da partida, fiz o ponto e pude vivenciar esse momento jogando. Tive até que me afastar para absorver tudo", recorda Dida. "Ao perceber que estávamos em vias de conquistar a vaga, meu pensamento não fugiu do jogo. Dava para ver que tinha gente chorando, ansiosa, no banco, mas não podia deixar isso transparecer na quadra. Isso foi uma prova de maturidade minha como treinador e me marcou bastante. Depois, comemorei e nem conseguia falar", completa Maurício.

No fim, a sensação de dever cumprido. "Levar um projeto desses do zero até uma vaga na Superliga foi mais do que uma realização profissional. Mostra que tudo que eu estudei e preconizei durante anos valeu, e estamos no caminho certo. Não é o único, mas está correto", avalia Bara.

 

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