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‘Ele tem presente e futuro’, diz mãe do ‘comentarista mirim’ de JF

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A paixão pelo futebol pode nascer de várias formas. Com Daniel Caetano, menino autista de altas habilidades, começou na escola, passou pelos mapas que enfileirava no chão montando seleções imaginárias e chegou ao @futcomdani, canal que vem crescendo nas mídias sociais após matéria feita pela Tribuna de Minas no final de junho. Como ele mesmo se denomina, virou um “comentarista mirim”.

Ao lado da fiel escudeira, a mãe Sheila, Daniel esteve, na última semana, no programa “Dá Jogo”, transmitido ao vivo todas às quartas-feiras no YouTube. Na conversa, eles falaram sobre a história de Daniel, a relação de mãe e filho e, claro, de muito futebol.

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Sheila e Daniel Caetano com os jornalistas Davi Sampaio e Bruno Kaehler (Foto: Hugo Soares)

“Por que não pesquisar mais sobre o assunto?”

O primeiro contato de Daniel com o futebol veio cedo, dentro de campo. “Eu estava no segundo período, jogava futebol, e pensei: ‘Por que não pesquisar mais sobre o assunto?’ Quando fui para o primeiro ano comecei a pesquisar mais, e foi assim que eu comecei a gostar”, conta.

Sheila, que é psicopedagoga, explica como o hiperfoco do filho foi o motor de tudo. “O Daniel sempre teve hiperfocos. Ele começou a montar seleções com pedaços de mapas. E a partir daí veio o interesse pelo futebol. Eu falei: então vamos dar continuidade a isso”, narra.

Com apenas 9 anos, Daniel já tem planos claros para o futuro. “Quero ser comentarista. Desde que eu juntava mapas, igual minha mãe disse, eu queria muito um canal no YouTube, no Instagram. Um dia pensei: ‘Mamãe, que tal eu fazer um negócio sobre futebol?’ Ela falou: ‘Vamos fazer.’ E a gente criou o @FutcomDani”, relembra.

Sheila explica que apoia o filho sem restrições, mas que o diálogo sobre o futuro é constante. “Hoje, até hoje mesmo, conversei com ele no elevador. ‘Daniel, é isso mesmo que você quer?’ Ele respondeu: ‘Mamãe, é isso que eu quero.’ Eu falei: ‘Então vamos embora, porque eu quero te ver feliz”, garante.

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Garoto tem paixão também pelos aplicativos de futebol (Foto: Leonardo Costa)

Opiniões sobre a Copa do Mundo

Daniel não se limita a temas rasos. Quando perguntado sobre os maiores jogadores que viu, a resposta veio rápida e segura: “Messi em primeiro, Cristiano Ronaldo em segundo, Mbappé em terceiro, Haaland em quarto e Vini Jr. em quinto”, elenca. Neymar? “Não. Eu vi um pouco de jogos do Neymar, porque ele jogou pouco pelo Al-Hilal e não estava sendo convocado pela Seleção Brasileira desde 2023”, responde.

Sobre a convocação para a Copa, ele tem opinião formada. “Eu tiraria alguns jogadores que não foram bem nessa Copa. Colocaria o João Pedro – fez uma boa Premier League, foi uma surpresa enorme ele não ter ido”, avalia.

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Quanto a derrota contra a Noruega, Daniel pontua que o Brasil perdeu várias chances. “A Noruega, no contra-ataque, tendo a estratégia dela, conseguiu fazer os dois gols. O Neymar conseguiu diminuir de pênalti, mas não adiantou de nada. Na hora que o Brasil foi atacar, jogou com o time pra frente e abriu a ideia pra Noruega de contra-atacar. Mas eu não vou falar assim tão mal, porque o goleiro da Noruega tava num dia brilhante da carreira dele”, comenta.

O garoto também não poupa elogios a Haaland. “Ele pegou na bola quatro vezes. Duas chances não foram aquelas de gol. As outras duas, a gente sabe o que aconteceu. Ele é letal. Chegou nele, é gol”, crava.

Daniel na escola

Com altas habilidades, Daniel tem a escola como principal foco. “Ele sempre foi aluno de 9,7, 9,3. E quando a nota veio um pouquinho mais baixa, ele abre a boca e chora”, brinca Sheila.

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Apesar do desempenho, ela faz questão de equilibrar as expectativas. “Eu sempre converso muito com ele que ele não é nota. Estudou, tirou nota baixa, não tem problema. Agora, não estudou e tirou nota baixa, aí a conversa é outra”, argumenta a psicopedagoga.

Ela também reflete sobre o valor pedagógico do hiperfoco. “Conseguimos puxar outras linhas de raciocínio, não só a questão acadêmica. O que me interessa é ele ser uma pessoa crítica, uma pessoa justa, que pensa, que tem opinião. Isso é muito mais importante. Porque ele sendo uma pessoa que pensa, o acadêmico vem no automático”, complementa a mãe de Daniel.

“Saber que o Daniel tem um presente e um futuro me dá esperança”

Um dos momentos mais emocionantes da entrevista foi quando Sheila falou sobre as duas realidades que vive em casa. “Eu tenho ele (o Daniel) com altas habilidades, que deslancha. E tenho o João Vítor, que tem 22 anos, com deficiência intelectual. Eu vivo os dois lados, o lado que caminha e o lado que fica”, revela.

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“Eu não tenho palavras pra explicar o que eu sinto em relação ao Daniel. Saber que ele tem um presente e tem um futuro me dá uma garantia, uma esperança muito grande. Se eu partir de hoje pra amanhã, o Daniel tem uma vida”, reflete Sheila.

O menino, por sua vez, também emociona ao falar da mãe. “Minha mãe falou que tem orgulho de mim, eu também sinto o mesmo por ela. Ela me apoia em tudo. Agora no futebol, ela me ajuda todos os dias, me dá as melhores ideias”, afirma.

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