Entre o pessoal que anda de moto existe um código de conduta. A rapaziada não gosta de ser chamada de motoqueiro, talvez você já tenha ouvido falar. O termo certo para quem anda certo é motociclista. Motoqueiro é quem faz presepada. Deixa eu exemplificar: outro dia eu fazia um controle de embreagem caprichado ali na Rua Pedro Botti, algo em torno de uma da madrugada de quarta pra quinta-feira e havia dois motociclistas parados à minha frente, um em uma Harley-Davidson 883 Iron e outro em uma magrela tipo XT ou XR, não lembro. Esperávamos o sinal vermelho esverdear quando um cara passou chutado por nós três, sabucando sua motoca morro acima. A reação dos dois foi imediata e ambos berraram de dentro de seus capacetes: "Ô, motoqueiro!!!".
Pois então… eu acho que os ciclistas devem começar a se categorizar usando o termo bicicleteiro para os desmiolados. Juiz de Fora tem essa tradição no mountain bike, o povo pedala bastante por aqui, temos muitos entusiastas e muitos atletas de ponta. Mas há uns outros aí fantasiados com aquelas malhas coladinhas e capacetes e óculos que eu vou te falar… bicicleteiro da mais baixa estirpe. Outro exemplo? Desta vez de dia e parado no cruzamento da Rio Branco com a Brasil, sentido Manoel Honório. Sinal fechado para mim, eu cato um Fruitella meio derretido no console do carro, o semáforo abre para o pessoal que está trafegando pela Brasil e quatro, eu digo QUATRO bicicleteiros zunem dos dois lados do meu carro, ziguezagueando pelo asfalto. Eu já ia vendo o bando atropelando um motoboy que vinha da Zona Norte, o Fruitella quase descendo pela goela. Mas eles eram espertos, desviaram e seguiram seu caminho sem machucar ninguém. Pelo menos daquela vez.
