
Fabiana e Farinazzo, prontos pra qualquer parada, por mais dura que seja
Uma aventura pela região onde os portugueses desembarcaram no Brasil há mais de 500 anos começa amanhã para dois atletas juiz-foranos. A partir das 6h30, Fabiana Duarte e Marco Farinazzo estarão entre os participantes da Ecomotion Pró, a maior corrida de aventura do Brasil e uma das maiores das Américas, que vai percorrer trilhas do Sul da Bahia, na área conhecida como Costa do Descobrimento, entre as cidades de Pontal e Porto Seguro. E, pela primeira vez, vão correr um contra o outro.
Na programação, 625km de muita adrenalina e esportes radicais em meio a locais praticamente intocados pelo homem. A previsão é de que as primeiras equipes comecem a cruzar a linha de chegada, em Porto Seguro, na quarta-feira – a chegada dos últimos times está prevista para sábado -, passando por trechos onde terão que fazer trekking – caminhadas e corridas na mata -, mountain bike, técnicas verticais – rapel, escalada e tirolesa, entre outras – e canoagem – em caiaques duplos, no mar e em rios.
Mas, até agora, nenhum dos participantes sabe exatamente o que vai encontrar pela frente, já que o mistério é parte fundamental de um evento como esse. "A única coisa que estamos sabendo é que a reunião vai ser em Porto Seguro, seguiremos domingo (hoje) para Prado e, de lá, embarcaremos em um navio. De onde ele parar é que será dada a largada. Ninguém sabe onde isso vai ser. Como a tendência é sempre ser em um local inédito, não sabemos o que pode acontecer. Esse ano, eles entregarão os mapas e o percurso da prova no dia anterior à largada, à noite. A partir de então, todas as equipes irão traçar seu plano prova, sabendo se andarão forte na bike, como vão ser as pernadas (trechos nos quais os atletas têm que seguir à pé, caminhando ou correndo), qual tipo de terreno", explica Farinazzo, que tem sete anos de experiência em corridas de aventura, citando o briefing técnico do Ecomotion, que acontece hoje, às 19h.
Para Fabiana, desde 2008 no esporte, a ansiedade é grande. "É sempre uma expectativa, sabemos que a organização dessa prova reserva surpresas para os competidores. É uma corrida muito extenuante. Durante a prova, há muitas situações de estresse psicológico mesmo. Então, a preparação antes é importante."
Mesmo sem informações oficiais, o experiente Farinazzo aposta que uma das partes da prova será deslumbrante. "A sessão de técnica verticais será, como em todos os eventos desse time, bem exigente. Já ficamos sabendo que há um paredão de granito de 500m na região onde passaremos, e ele deve ser vencido através de escalada, com rapel depois. É sempre fantástico, um show da natureza mesmo", prevê Farinazzo.
Pela 1ª vez separados
O Ecomotion de 2011 vai marcar a primeira vez em que Fabiana e Farinazzo não competirão em uma corrida de aventura juntos. Antigos integrantes da equipe Armadda/Allen, de Petrópolis, cada um seguiu seu caminho este ano, em times diferentes, ambos cariocas.
Fabiana competirá pela equipe Unimed Rio/Terra de Gigantes, ao lado dos cariocas Philipe Campello e André Zargo, e do mineiro Juninho "Brou" Fernandes. Já Farinazzo só ficou sabendo quem seriam seus companheiros poucos dias antes de embarcar para a Bahia, e o grupo ainda sofreu com a perda de um integrante que contraiu dengue uma semana antes da prova. O juiz-forano, que volta a participar de uma corrida de aventura após dois anos se dedicando exclusivamente às ultramaratonas, está no time The Hunters/3º BIS, ao lado dos cariocas Ivone Silva, Tiago Waiantt e Fabio Lucchezi.
Para Fabiana, mesmo sem o entrosamento ideal, a intenção é andar forte na prova."Estamos indo com uma equipe de primeira formação. A gente fica apreensivo, pois o entrosamento do time é fundamental, mas fiquei muito feliz porque todos os integrantes da equipe, apesar de não termos corridos juntos ainda, estão com um mesmo objetivo, que é andar muito forte, junto com as equipe da ponta, e conseguir o melhor resultado possível. Então, estou animada."
Já Farinazzo sabe que seu time não está entre os favoritos e traça um objetivo mais modesto. "A principal intenção da equipe é completar a prova sem ser cortado (a cada posto de controle, a organização avalia as condições de cada grupo de seguir na prova e corta os que não conseguirão aguentar um ritmo considerado razoável). A gente sabe que não tem condições de andar com as primeiras, pois o ritmo é muito forte. Muitas equipes são cortadas por causa do limite do horário, e nossa intenção é evitar isso e cruzar o pórtico final", explica.
Rivais, mas nem tanto
A separação entre Fabiana e Farinazzo gerou uma situação de criador contra criatura no Ecomotion desse ano. "Comecei a competir em corridas de aventura em 2008, a convite do Farinazzo. Fazia mountain bike só, mas sempre fui ligada a escalada e outros esportes de contato com a natureza. Já no primeiro ano, pude participar da final do Campeonato Mundial de Corrida de Aventura, que foi no Brasil, nessa mesma prova que vamos correr, a Ecomotion, com a equipe Armadda, ao lado do Farinazzo, e foi uma experiência incrível", explica a corredora.
Já o corredor sabe que são grandes as chances de ser superado pela antiga pupila e até admite estar torcendo por ela. "Acabei colocando a Fabiana no esporte e acho que agora ela vai me deixar para trás. Ela vem treinando forte para o Ecomotion desde o ano passado, e eu vou torcer muito mesmo para ela. No que eu puder ajudar a equipe, que é minha adversária, vou fazer. Ela vem com um grupo muito forte, para tentar andar entra as primeiras. A corrida de aventura tem essa característica também de interação entre as equipes. Ninguém sacaneia ninguém. Pelo contrário, ajuda quando é preciso, para poder receber essa ajuda quando for precisar", diz Farinazzo.
Fabiana reconhece a importância do colega para sua carreira e sabe que não será tão fácil superá-lo. "Vai ser a primeira vez que nos enfrentamos, e admito que será estranho. Ele está com esse papinho que vem só para completar, mas é muito experiente e competitivo. É um atleta muito forte. Vamos ver no que vai dar. O Farinazzo é minha inspiração como atleta. Aprendi muita coisa sobre corrida de aventura e autossuperação com ele. Ouço as dicas dele sobre treinamento, pois o considero um atleta muito sábio. Quem o olha naquele corpo franzino e com aquele jeito singelo, não imagina como ele é forte e determinado. Sem dúvida estar correndo na mesma equipe que ele seria melhor do que concorrer com ele. E se hoje sou convidada por grandes equipes para correr, devo muito ao que ele me ensinou."

