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Nadando contra a corrente

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Dezembro chegou e, com ele, a hora de olhar para trás e ver como foi a temporada dos atletas juiz-foranos. Nos esportes individuais, os locais se destacaram em competições além das montanhas da Princesa de Minas, inclusive defendendo o Brasil em disputas internacionais, conquistando títulos. Geralmente, no entanto, foram longe sem contar com patrocínios que lhes garantissem tranquilidade para pensar somente em suas disputas.

Apesar das vitórias, os destaques juiz-foranos no esporte individual de 2012 ainda lutam para bancar suas carreiras. "Na verdade, não há praticamente nenhum apoio", afirma Juliana Vitral, campeão sul-americana de karatê em 2012. "Para competir esse ano, banquei tudo do próprio bolso. Tentamos até apoio na Prefeitura, mas não conseguimos."

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Já o mesatenista Alexandre Ank atribui sua ausência em um maior número de competições internacionais e, por consequência, dos Jogos Paralímpicos de Londres, à falta de apoio, principalmente do poder público municipal. "Quando conquistei a vaga para os Jogos de Pequim, em 2008, só consegui fazer o índice graças ao apoio da Prefeitura naquela temporada, custeando cinco das seis etapas classificatórias internacionais para eu consegui me classificar. Isso não aconteceu na gestão atual. Infelizmente, com meus apoios atuais (AABB, Fnac e Antônio Dias Imóveis), não há como fazer essas competições no exterior."

Também organizador de eventos, o tenista Felipe Miana, segundo lugar no ranking nacional na categoria sênior, já estava acostumado às dificuldades de levantar patrocinadores na cidade. "Minha empresa organiza desde 2004 os principais torneio de tênis da cidade, então a falta de patrocínio não me surpreende. Estou certo de que este é um grande motivo de não termos mais grandes destaques individuais no cenário nacional", avalia o juiz-forano cuja equipe tem as despesas aéreas cobertas pela patrocinadora de sua equipe, Chevrolet Novo Rumo, mas arca com outros custos como hospedagem, alimentação e inscrições no circuito nacional sênior.

O ultramaratonista Marco Farinazzo, que este ano não conseguiu resultados expressivos fora do Brasil, considera que joga com a sorte para conseguir apoiadores para cada competição que disputa. "Nunca tive muita sorte com patrocínio, mas sempre consigo apoios importantes. Meu maior patrocinador é o Exército Brasileiro, onde tive a oportunidade de mostrar em várias modalidades meu potencial e que sempre me apoia dentro das possibilidades. Para cada prova é um apoio diferente, conto muito com o apoio de amigos que hoje são empresários", explica.

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Na base da rifa ou do autopatrocínio

Com uma carreira sólida no cenário nacional, a ciclista Roberta Stopa é um raro exemplo de quem pode confiar em seus parceiros. Com o patrocínio de empresas como Damatta, MOB, Ashima e X-Fusion, copatrocinada por outras marcas como Specialized, BR Esportes e SRAM, além dos apoios de Bagal Bikes, Thule, GU, X-Pedo, Francisco Magaldi, PSY Fitness, Cabaret Voltaire, Las Casas, IBSM, Studio Way3, Spiuk, Fisi´k, Continental, Pedal.com.br e Genuine Innovations, a ciclista local talvez seja a atleta mais bem coberta de Juiz de Fora.

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Mas às vezes nem isso é suficiente. Para disputar o Pan-Americano no México, sem apoio da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), Roberta teve que ser criativa. "Como não teve uma convocação de atletas pela CBC para o Pan, muitos foram por conta própria. Fiz uma lista rifando dois uniformes do Brasil para que eu pudesse arrecadar verba para custear minhas despesas. Graças às pessoas que compraram os bilhetes, eu pude participar", conta. 

Dupla função

Na batalha para manter a carreira esportiva em andamento, muita gente se vira correndo para competir e, ao mesmo tempo, bancar o esporte. O piloto Marcelo Mendes, campeão da Mitsubishi Cup na divisão das pick-ups L200 Triton, categoria master, vive assim. "Este ano tivemos o patrocínio da Mit Rio, Faculdade Suprema, Térmica Embalagens, Almar Imóveis e da Construtora Cortes Alvim, além de mim mesmo, com a Mendes & Mendes Ferro e Aço. É uma dupla função: corro nas pistas e fora delas para garantir o orçamento das próximas disputas."

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Nesse cenário, o navegador Flávio Bisi pode ser considerado um privilegiado. "Nossos patrocinadores (Mercedes Benz, Michelin e Mobil) bancam toda a estrutura da equipe. Eu já tirei muito dinheiro do bolso para participar de ralis, mas hoje fico focado somente na prova, em fazer o melhor. Claro, com isso vem a pressão por resultados. Mas com a cabeça preocupada somente em vencer fica mais tranquilo", diz o local, bicampeão do Brasileiro de Rali Cross Coutry na categoria caminhões, com 100% de aproveitamento.

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