O erro de Barcos
Nunca pensei que um dia seria capaz de dizer isso, mas o STJD mostrou extremo bom senso no julgamento em que considerou improcedente o pedido da diretoria do Palmeiras que solicitava o cancelamento da partida vencida pelo Inter por 2 a 1. Aquele jogo do gol de mão do bom centroavante Barcos. O placar de 9 a 0 na votação que indeferiu a peça corroborou aquilo que todo mundo sabe: não se justifica um erro com outro. O Verdão quis dar uma de malandro e acabou passando por mané.
O fato é que a diretoria do Palestra deixou passar uma chance de ouro. Perdeu o foco. A polêmica sobre a influência externa na decisão da arbitragem deveria ter sido utilizada como munição para uma crítica ácida e, quem sabe, a proposição de novos valores para a arbitragem brasileira. Era a oportunidade de externar as mazelas da juizada que falha muito, acima de tudo por incompetência. Alheio ao problema central, os palmeirenses se perderam em seu próprio desespero, tentando uma virada de mesa que pudesse ajudar na árdua luta pelo rebaixamento que parece mais provável a cada rodada.
Se o tal STJD surpreendeu, fiquei decepcionado com o argentino Barcos. O atacante desengonçado vinha ganhando minha admiração velada pelo faro de gol e por assumir a condição de líder de um time moribundo. Mostrou galhardia até mesmo ao valer-se da malandragem e tentar marcar o gol de mão. Só não dá para engolir a cara de pau do jogador ao declarar perante o tribunal que a jogada não foi intencional. Só pode ser brincadeira.
O futebol nacional ainda precisa aprender muito com outro estrangeiro bom de bola: Seedorf. Recentemente, o holandês criticou o hábito de os jogadores brasileiros tentarem ludibriar a arbitragem com constantes simulações de falta. Algo que deveria contaminar nossos atletas. Mas parece que aconteceu o contrário. Foi a malandragem brasileira que infectou Barcos. Uma pena.
