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Papo de gandula

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Tocar nas feridas

Caros e caras, passado o primeiro turno das eleições, queria fazer coro com a coluna do amigo Ricardo Miranda, na última semana, e manifestar minha decepção quanto ao papel coadjuvante que teve o esporte nas discussões de todos os candidatos a prefeito. Gostaria de deixar claro aqui também meu desejo de ver o tema incluído efetivamente no debate da sucessão na Prefeitura de Juiz de Fora nesse segundo turno, entre os candidatos Margarida Salomão (PT) e Bruno Siqueira (PMDB). Muito mais do que resolver como terminar o Ginásio Municipal ou como o Executivo do município deve apoiar o único clube de futebol profissional da cidade, o Tupi, questões mais amplas devem ser abordadas. É preciso tocar nas feridas.

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Um do exemplos é a situação da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL), criada pelo atual prefeito, Custódio Mattos, mas que necessita de um orçamento próprio para investimentos diretos, um orçamento determinado e previsto, do tipo hipotético: em 2013 teremos R$ 2 milhões para o esporte, e não uma previsão orçamentária de 1% que quase nunca nem de perto é cumprida. Nos últimos anos, o titular da pasta, Renato Miranda, e sua equipe sempre tiveram que travar discussões e embates por vezes perdidos dentro da própria administração municipal em busca de recursos para dar apoio aos esportistas juiz-foranos. Esse tipo de cabo de guerra, por conta de não haver um montante específico destinado para o apoio ao esporte da cidade, desgastou e, muitas vezes, limitou a atuação da SEL. Quem perdeu por conta disso foram os amantes e militantes da área em Juiz de Fora.

Outro aspecto importante que deve ser abordado por ambos os candidatos é a definição de políticas públicas claras de apoio em todos os níveis do esporte local, desde a prática esportiva como promoção da saúde e integração social até o alto rendimento, passando necessariamente pelo futuro do esporte juiz-forano que está, a meu ver, no esporte escolar. Se possível – isso já era para ter acontecido desde o início da campanha -, tanto Bruno como Margarida deveriam elaborar um documento para a área esportiva elencando prioridades, ações e como efetivá-las.

Embora ache que o pessimismo da expressão esporte não dá voto, citada pelo Ricardo em sua coluna, seja o mais próximo da realidade e uma das razões pelas quais o tema não costuma ser encarado como questão central em campanhas políticas de uma forma geral, continuo esperançoso. Talvez um dia, a classe política finalmente entenda que uma atuação eficiente no apoio a todos os níveis da prática esportiva não só vai divulgar o município nacional e internacionalmente, com conquistas de atletas e equipes locais, mas também poderá influenciar positivamente os níveis de promoção de outras áreas, como saúde e segurança pública.

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