O garoto Nicolas Benjamim foi “muito apressado”, como diz a mãe, nascendo com apenas cinco meses de gestação. Desde então, lutar pela vida faz parte do cotidiano do menino, que hoje tem 9 anos e conta com a ajuda dos pais, Cibele e Vagner Vidal, para ultrapassar barreiras. Ao longo das últimas semanas, entretanto, o garoto ganhou o apoio de uma nação: a torcida organizada Flabrothers JF e o Consulado FlaNação JF se mobilizaram em torno da causa, promovendo uma rifa solidária e campanhas de arrecadação de doações para auxiliar Nicolas na compra de uma rampa de acesso.
Desde os primeiros minutos de existência, Nicolas precisou superar uma série de enfermidades e passar por diversos procedimentos médicos. O menino desenvolveu hidrocefalia, retinopatia, meningite e hipertensão intracraniana com menos de um ano de vida. Ele ainda chegou a ser diagnosticado com Síndrome de West, atrofia do nervo óptico e paralisia cerebral, entre várias internações, cirurgias e meses passados no hospital.
Atualmente, Nicolas é alimentado por sonda e não consegue se movimentar. Como realiza diversos acompanhamentos médicos em vários pontos de Juiz de Fora, Cibele tem na compra da rampa de acesso uma maneira de adaptar o veículo recém-adquirido da família para facilitar no transporte, que faz parte do cotidiano do garoto. “A gente perde muito tempo esperando ônibus e, muitas das vezes, a rampa de acesso do ônibus não funciona”, relata a mãe.
Perda de benefício durante pandemia
O sonhado equipamento, no entanto, tem o custo aproximado de R$ 20 mil, inacessível para a família em tempos de pandemia. “No ano passado, nós passamos muita necessidade e alguns amigos nossos ajudaram com pedidos de insumos para curativos e da dieta (do Nicolas). Nós tínhamos um benefício que foi cortado, porque disseram que nós não tínhamos necessidade”, explica Cibele, se referindo ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que tem o valor de um salário mínimo e foi interrompido durante vários meses em 2020. “O valor do benefício não cobre todas as despesas do Nicolas, mas ajuda muito. Sem ele, nós ficamos com a corda no pescoço”, conta.
O BPC só foi reativado para a família em abril deste ano, sem o pagamento do dinheiro referente aos meses em que o benefício foi negado ao garoto. Os pais ainda lutam na Justiça para reverter o prejuízo severo, mas sem prazo para reaver o direito.
Corrente solidária tem rifa de camisa e vaquinha
Flamenguistas de coração, Nicolas e a família viram, em abril, a campanha solidária tomar forma a partir do apoio da Flabrothers JF. A diretoria do grupo de torcedores ficou sabendo da história por meio do cantor juiz-forano Mc Kadillack, que fez a intermediação entre a família do garoto e a torcida organizada ainda durante o período de sérias dificuldades financeiras vivido pelos familiares entre 2020 e 2021.
A Flabrothers providenciou uma camisa oficial do Flamengo autografada pelo atual elenco do Rubro-Negro, que será rifada com o dinheiro arrecadado sendo direcionado para a compra da rampa. O item será sorteado no dia 20 de junho, às 10h, com transmissão pelo perfil da organizada no Instagram. Interessados em comprar a rifa podem adquirir pessoalmente no endereço: Avenida Getúlio Vargas, 876, Centro. Outra opção é entrar em contato com a família pelo telefone (32) 98808-8465.
Além da rifa, o grupo de flamenguistas também elaborou uma vaquinha on-line para arrecadar os R$ 20 mil necessários para a compra da rampa de acesso . São recebidos valores a partir de R$ 10 pela plataforma Kickante. Até a edição desta matéria, R$ 1.770 foram arrecadados pela vaquinha, somando 44 doações.
Parceira de batalhas desde antes do nascimento do garoto, a mãe Cibele se emociona ao falar do apoio recebido pelos amigos. “Nós ficamos emocionados por saber que as pessoas reconhecem o nosso esforço. Nós realmente colocamos o Nicolas como prioridade. Tudo que nós fazemos, é pensando nele”, relata. “Nós quisemos muito ele (Nicolas) e, no meio do caminho, tanta coisa ruim foi acontecendo. Mas é um amor tão grande que chega a doer o peito. E, vendo as pessoas fazendo esse movimento, a gente fica muito emocionado”.

