
Cloves Santos diz que agora será “oposição ao que estão fazendo no Tupi” (LEONARDO COSTA/08-03-16)
Sete anos depois, chega ao fim a gestão de Cloves Santos à frente do futebol do Tupi. Conforme antecipado pela Tribuna, o vice-presidente do Conselho Gestor havia colocado seu cargo à disposição da presidência na última segunda-feira e, inclusive, já tinha feito uma despedida emocionada dos jogadores e membros da comissão técnica após o treinamento do mesmo dia. Na manhã de ontem, foi a vez da diretoria se pronunciar através de nota oficial, confirmando o desligamento do dirigente.
“O Tupi Football Club comunica o desligamento do Sr. Cloves Santos da Direção do Futebol do clube. O clube aproveita para agradecer e reconhecer o trabalho que o mesmo desenvolveu durante o período em que esteve no cargo”, diz a nota oficial. A presidente Myrian Fortuna completou o segundo dia sem responder aos contatos da Tribuna. Já o vice-presidente de futebol, José Roberto Maranhas, em entrevista à Rádio CBN Juiz de Fora, confirmou que o rompimento se deu por divergências no trabalho. “O Cloves entregou o cargo, a diretoria aceitou. Foi uma situação que ele e a presidente não entraram em acordo. Nós lamentamos, já que o trabalho dele sempre foi muito bom. Esperamos que dentro de campo não reflita o que está acontecendo fora.”
“Sou oposição”
Poucas horas depois da confirmação oficial do desligamento, Cloves Santos já aguardava os profissionais de imprensa para dar sua versão dos fatos. Foram 32 minutos de entrevista, nos quais o dirigente afirmou sair “irritado com intromissões que não ajudam”, e que não abrirá mão do cargo de vice-presidente do Conselho Gestor, mas que, a partir de agora, será “oposição ao que estão fazendo no Tupi”.
“Estava tendo muita interferência no futebol. Algumas situações eu sei que atrapalham a bola a entrar. Não pactuei com isso. Não sou contra participarem do futebol. Quando termina um jogo, já temos que nos preparar para o próximo. Abro mão dos meus domingos, segundas, assisto aos jogos, olho scout, para na terça eu ser interpelado por pessoas que nunca se dedicaram a isso. Para me cobrar participação, tem que participar. O fato de sermos voluntários não dá direito às pessoas de se meterem naquilo que não é de suas alçadas”, afirma Cloves Santos, detalhando como entregou o cargo à presidente Myrian Fortuna.
“Na segunda-feira, eu procurei a Myrian para conversar. Ela deixou bem claro: ‘a gente zera, mas daqui para frente vai ter que ser do meu jeito’. Do jeito dela eu não concordo, e não tenho que participar. Comuniquei, olhando nos olhos dela, que meu cargo estava à disposição. De lá pra cá, ela marcou comigo ontem (segunda-feira), às 18h, e não apareceu, não atendeu as ligações e nem me respondeu hoje (terça). Ela não me ligou nem para falar que eu estava fora. Eles falam muito em respeito, mas foi o que faltou. Agora que está na Série B, parece que não respeita quem ajudou o clube a estar lá. Se tem uma pessoa que merecia estar no vestiário da Série B sou eu, por tudo que me dediquei”, diz Cloves Santos.
Cloves descartou interesse em se candidatar a presidente do clube este ano. “Ser presidente não é meu sonho. Esse grupo aí, com a Myrian e o Maranhas, afirmo que não participo mais. Mas com o grupo que queira o melhor para o Tupi, com certeza estarei. Nunca vou deixar morrer o que corre nas minhas veias, que é a vontade de ver o Tupi na Série A. Não vou deixar de ser torcedor. Por mais que tenha saído dessa forma, o estádio ainda é público.”
Lacuna entre elenco e presidência
A saída de Cloves Santos do comando do futebol carijó deixa um espaço entre a presidência e o elenco. Com bom relacionamento entre os jogadores, o vice-presidente do Conselho Gestor era quem acertava contratações e renovações de contratos, ouvia queixas sobre a estrutura deficiente do clube e renegociava salários atrasados. Não por acaso, um grupo de jogadores se movimentou para tentar evitar a saída do dirigente.
Um dos líderes do elenco, o capitão Osmar não entrou em detalhes sobre a mobilização do grupo pela permanência de Cloves. “A diretoria sabe do nosso posicionamento. Eles sabem o que nós pensamos. Não precisamos externar isso. Nós não podemos interferir no que tange à diretoria. Eles têm que se resolver. O grupo está bem consciente de tudo que tem acontecido. Temos um ano muito difícil pela frente. É importante que todos possam estar juntos, unindo forças para que possamos sempre fazer um Tupi melhor.”
Segundo o capitão carijó, o rompimento de Cloves com a diretoria “nos pegou de surpresa. Era uma pessoa muito querida no grupo. Uma relação de confiança muito grande. Ficamos muito abalados, mas a vida tem que seguir. A gente veste uma camisa de muita grandeza. Temos que focar na semana. Vamos ter um jogo complicado. Nossa preocupação é somente com o Boa Esporte, que vem de um bom resultado. Nossa mobilização é em treinar para fazer um grande jogo no domingo”, diz Osmar.
A preocupação dos jogadores não é por acaso. Atualmente o elenco está com o último salário atrasado, além dos valores que ainda não foram quitados referentes à premiação da temporada passada, conforme confirmou Cloves Santos. “Não sei nada da parte financeira do Tupi. Absolutamente nada. Sobre os salários dos jogadores, a única coisa que me pediram (diretoria) foi que dividisse o pagamento desse mês em duas parcelas. Solicitaram também ajuda para parcelar novamente o bicho (premiação).”
A função desempenhada por Cloves Santos será acumulada até o fim do Campeonato Mineiro pelo supervisor de futebol Pitti. Já para a disputa da Série B, outro profissional deverá ser contratado.

