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Na orelha da bola

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Tem uma máxima aí que diz que roupa fala. Assim como o corpo fala e outras coisas mais falam. Não sei se nasceu no meio da moda ou se em livros de auto-ajuda voltados para empresários e profissionais de atendimento de agências de publicidade, mas bem… é verdade. Você vê… o fortão da academia, por exemplo. Vai malhar de abadá do JF Folia. Não precisa conversar pra saber qual é a dele, né? Mesma coisa com o maluco com a camisa preta do Sepultura nesse calor egípcio fazendo ali o seu supino, ou com a dona que vai com a camisa da Congregação das Pastorais das Famílias das Populações Ribeirinhas do Entorno do Vale do Rio São Francisco – Seccional Sul dar sua andadinha na esteira.

Diga-me o que vestes (mesmo que não vistas quase nada) que te direi quem és é algo que se poderia dizer facilmente para fãs de esporte. Porque é muito diferente você ver o cara com a camisa do Tupi estampado com a logomarca do Bretas e ver outro com uma novinha em folha. Não digo que defina a personalidade do sujeito nem nada, mas aquele ali do Bretas você diz, pô, o cara tava lá naquela época. Não que o da novinha também não estivesse, mas é tudo questão do impacto, né? Causa uma certa impressão.

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Posso falar o mesmo do cara que aparece no Gilbertinho para ver jogo do Botafogo com aquela camisa patrocinada pelo refrigerante 7Up. Classe. E a da Coca-Cola então? Mais gostosa ainda! Aliás, as da Coca são clássicos que vestiram praticamente todos os times que disputaram a Copa União, o lendário Campeonato Brasileiro de 1987, Vasco, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro… Eu, de minha parte, envergava a do Flamengo, com a Lubrax estampada sobre as costelas salientes.

Aliás, me arrependo muito de ter dado aquela camisa (da Adidas, de listas largas) para um primo desses quase sobrinho, sabe o tipo? Sumiu com ela. Menos mal que até hoje se garante como rubro-negro. Mas dali em diante não abri mão de mais nada. Nem da do Atlético-PR que ganhei de um amigo curitibano, nem da do Bandeirante de Ubá que comprei na loja do Batista, nem da seleção de Gana que comprei de um amigo que trazia do Shopping Oi (o fotógrafo Fernando Priamo comprou uma da Itália no mesmo dia) e tampouco daquela do Tupi, autografada pelo Ademilson após o título da Taça Minas. São relíquias dri-fit. Ou então de tecido sintético de procedência indecifrável made in China.

Diga-me o que vestes

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