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Dando bandeira na Copa

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Árbitro auxiliar formado na UFJF é reserva do trio brasileiro selecionado pela Fifa e vive expectati
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Árbitro auxiliar formado na UFJF é reserva do trio brasileiro selecionado pela Fifa e vive expectati

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O sonho de todo profissional do futebol é atuar em uma Copa do Mundo. Nascido em Valença, no Estado do Rio de Janeiro, e morador de Juiz de Fora, o árbitro auxiliar Marcelo Carvalho Van Gasse, 37 anos, vive essa expectativa. Ele foi convocado pela Fifa para o quinteto (dois árbitros principais e três assistentes) que irá representar o Brasil na Copa de 2014. "Hoje, eu sou o bandeira reserva da equipe, mas trabalho intensamente para estar pronto caso aconteça alguma eventualidade com os outros."

Caso algum integrante do trio de arbitragem sofra alguma lesão ou não alcance o índice técnico e físico nos testes, a Fifa permite a alteração de um dos elementos – diferentemente do que acontecia em outras edições, quando toda equipe era descartada em caso de falha de algum dos seus integrantes. Os "titulares" para 2014 são Sandro Meira Ricci (de Brasília) e os assistentes Alessandro Rocha Mattos (da Bahia) e Emerson Augusto de Carvalho (São Paulo). Van Gasse e Héber Roberto Lopes (Santa Catarina) completam o quinteto brasileiro.

Antes de sonhar com o Mundial, Marcelo mantém o foco nos treinamentos e jogos. No dia 17 de outubro ele estará nos Emirados Árabes, onde atuará na Copa do Mundo Sub 17. "O Mundial das categorias de base é um pré-requisito para participar do adulto. Além disso, é uma grande chance para que a comissão de arbitragem da Fifa possa assistir meu trabalho. A CBF e a Commebol já me conhecem, mas faltam eles", pondera o auxiliar que, desde 2011, integra o seleto quadro de profissionais padrão Fifa.

Van Gasse acrescenta que sua chance como titular da Copa do Mundo pode ocorrer em 2018, na Rússia. "Normalmente, quem fica na reserva em um Mundial é convocado para a outra Copa. O (Altemir) Hausmann, por exemplo, ficou na ‘reserva’ em 2006 e representou o Brasil na África do Sul. Estou sendo preparado para 2018, mas tudo pode acontecer. Tenho que estar pronto."

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Preparo físico e cobrança ‘profissionais’

Para conseguir chegar à Copa, além de manter o nível técnico, Marcelo Van Gasse desenvolveu um preparo físico de atleta. "Quando se atinge um patamar alto, tem que evoluir na preparação." Atualmente, além de redobrar os cuidados com a alimentação – com o auxílio de um nutricionista – , ele também incluiu em seu staff um preparador físico. "Ele precisa de treinos puxados. Muitas vezes, fica viajando devido às competições e não treina. Quando ele volta, temos que fazer o trabalho de uma semana em dois dias", explica o amigo e preparador físico Anderson Occhi.

Para atuar no Mundial dos Emirados Árabes, os testes físicos da Fifa devem ser realizados até o próximo dia 20. Inicialmente, o árbitro deve completar seis "tiros" de 40m em 5.8s. Após um rápido descanso, o circuito passa a ser de 40 tiros de 75m, a serem vencidos em, no máximo, 15s, intercalados por rápidas pausas de 20s – descanso ativo, como é chamado o procedimento pelos preparadores físicos.

Apesar de exigir alto nível de preparo físico e técnico, a profissão ainda é amadora. " Eu tenho família, dois filhos (Pedro, 12 anos, e João, 5), e é a minha mulher (Eliane) que segura a barra lá em casa. Apesar de hoje a arbitragem ser minha principal fonte de renda, a realidade é que não temos carteira assinada. Fico muito pouco em casa e preciso viajar para trabalhar", afirma Van Gasse. Na visão dele, além da distância da família, outra dificuldade da profissão é a pouca tolerâncias aos possíveis erros. "Atualmente, todos os jogos, independente de ser da Série A ou B, são televisionados. Existem diversas câmeras na transmissão. É complicado. Todo erro está exposto", pondera.

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Como foi que tudo começou

Marcelo Van Gasse saiu do interior do Rio de Janeiro e mudou-se para Juiz de Fora com o objetivo de cursar o ensino superior. Formou-se em educação física pela UFJF em 2001. Mas, durante a graduação, quem abriu seus olhos para a possibilidade de crescimento profissional – por meio da arbitragem – foi o ex-colega de sala Rodrigo Cintra. Em 1999, ele foi convencido pelo amigo a fazer o curso de formação de árbitros – com duração de dois anos, um de teoria e outro de estágio nas divisões inferiores do futebol paulista- aos fins de semana.

"No começo, me chamavam de maluco, mas vislumbrei uma grande oportunidade profissional. Montei uma empresa de assessoria esportiva e comentei com os colegas sobre a boa possibilidade de ascensão na carreira", explica Cintra, que, por mais de uma década, foi árbitro da Série A e, hoje, apesar de "aposentado do apito", ainda está vinculado ao futebol. Mora na Bahia, onde atua como executivo da Fifa – responsável pela acomodação e tickets das delegações que irão participar da Copa na região. Além disso, ele é comentarista de arbitragem em uma TV local. "Minha amizade com o Marcelo dura mais de 15 anos. Já fui seu colega de sala, professor no curso de arbitragem, trabalhamos juntos na Série A do Paulista e do Brasileirão e já tive a oportunidade de comentar um jogo dele pela TV. Sempre foi um grande profissional e merece todo destaque que está tendo devido a sua capacidade e, principalmente, ao foco e profissionalismo", destaca Cintra.

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Em 2003, Van Gasse entrou para o quadro de árbitros da CBF. No mesmo ano começou a trabalhar em jogos da Série A. Com isso, a carreira deslanchou. "Já devo ter feito mais 120 partidas do Brasileirão." Somente nesse ano, ele já trabalhou em nove jogos da Série A. Entre eles, o clássico Fluminense 2 x 3 Flamengo e a goleada do Cruzeiro sobre o vitória por 5 a 1. No ano passado, das 38 rodadas da competição, ele esteve presente em 27 . "Já tenho 11 anos fazendo jogos do Brasileiro. Mas os jogos que mais me marcaram foram a ‘final’ do Brasileiro em 2011 (Corinthians 0 x 0 Palmeiras) e a minha estreia em eliminatórias (Colômbia 4 x 0 Uruguai, em Barranquilla).

Na última sexta, Van Gasse voltou a Barranquilla para trabalhar no jogo entre Colômbia e Equador, válido também pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. Outra prova de boa fase do juiz-forano por adoção, que está fazendo o dever de casa para realizar o sonho de milhares e atuar em um Mundial. Seja no Rio ou na Rússia.

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