Caros e caras, sem o Tupi em campo no último fim de semana, o jeito foi acompanhar as finais dos estaduais mais importantes do país mesmo. Fiquei ligado, no ritmo do controle remoto, no jogo entre Botafogo e Fluminense e no confronto entre Atlético e América. Depois, fiz questão de ver a reprise de Santos e Guarani, claro.
Sem dúvida, a primeira partida da final do Carioca foi a melhor disparada. O Botafogo fez o que se esperava dele, partiu para cima querendo definir o jogo no início – a meu ver a única chance que tinha de surpreender o Flu – e até conseguiu um gol antes dos 10 minutos. Mas não fez mais nada, e o Tricolor, como era natural, foi dominando as ações e encurralando o Bota, até fazer o primeiro gol, em uma bela bicicleta de Fred.
Muita gente vai colocar na conta da expulsão do lateral-direito Lucas a derrota do Fogão. Eu prefiro pensar que foi incapacidade do time de General Severiano em achar o meia Deco para marcá-lo. Como jogou o luso-brasileiro! E não só pelos passes perfeitos para gol, mas inteligentemente indo para perto da área quando estava inteiro e sabiamente recuando para dar qualidade à saída de bola quando pregou. Com seu maestro jogando o fino da bola, o Fluminense construiu um placar dilatado que, se não decidiu a parada, já encaminhou bem o título para os lados da turma das Laranjeiras.
Em Minas, o empate acabou dando bem a medida do que foi o jogo. Não gostei do nível técnico da partida e ainda a vi com uma pontinha de "ah, o Tupi podia estar lá…". Do confronto, o que ficou mesmo foi a reclamação dos atleticanos quanto ao lance do gol de empate do Coelho, o último da partida. Para mim, a bola não bateu no volante Serginho, e depois da cobrança do escanteio, o atacante Bruno Meneghel, que empurrou a bola para dentro, estava impedido. Serve de lição ao Galo da capital do famoso ditado "pau que dá em Chico também bate em Francisco", depois de dois lances discutíveis e decisivos na semifinal contra o Carijó.
Já na final paulista, estava menos interessado na partida em si e mais preocupado em não perder um lance do Neymar – se bobear, ele dribla até a gente no sofá de casa – e conferir se a melhora de desempenho do Ganso é fato. Mas acabei vendo um Guarani até melhor que o Santos no primeiro tempo, mesmo sem criar chances muito claras. Então a categoria do Paulo Henrique se fez presente, e um jogo embolado passou a ser controlado pelo Peixe após o gol no fim do primeiro tempo. A busca do time de Campinas pelo empate deu os espaços que Neymar precisava para completar o placar, assinando o 3 a 0 com um gol de habilidade e tranquilidade dentro da área.
Agora, como não haverá compromisso oficial do Tupi também no próximo fim de semana, é aguardar as segundas partidas das decisões do Estadual. E contar os dias para chegar a estreia do Carijó na Série C do Brasileirão.
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Um esclarecimento: essa coluna não aprova o alarde feito com relação aos gandulas no futebol brasileiro das últimas semanas. Sou de um tempo em que gandula era aquele menininho que ficava no alto do muro do campo catando goiaba do vizinho e, quando a bola caía fora dos limites do local, corria para pegar e quem sabe descolar uma laranja do time que havia levado as pelotas para o confronto. Certamente, outros tempos – talvez de Bambala e Arimatéia, quando se amarrava cachorro com linguiça -, bem diferentes de nossa época de seguranças disfarçados, Fernandas do Fogão e galalaus treinados para cobranças de escanteio ensaiadas. Episódios assim me fazem quase implorar pela volta da inocência ao futebol…
