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Os pés pelas mãos

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Grama sintética é imoral

De ano em ano, as discussões sobre as dificuldades enfrentadas por jogadores nas partidas disputada em grandes altitudes são mais do que corriqueiras. São chatas. É sempre o mesmo alvoroço a cada Libertadores ou Eliminatórias da Copa. Dirigentes, jogadores, atletas e torcedores jogam todo a responsabilidade de um resultado negativo nos quilômetros acima do nível do mar onde são obrigados a jogar. Dizem que é desumano. Alegam que falta fôlego. Ameaçam recorrer à Fifa, para que os velhinhos da Suíça intercedam e proíbam a realização de jogos de futebol tão próximo às nuvens.

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Não questiono o mérito da questão. Existem inúmeros estudos que relatam os efeitos do ar rarefeito no desempenho dos atletas de alto rendimento. Reconheço que bater uma pelada em La Paz não deve ser uma coisa tão revigorante. Entretanto, sou daqueles que defendem a manutenção dos jogos nas altitudes. Afinal, torcedores e clubes bolivianos, equatorianos e afins não têm culpa de terem nascido mais próximo dos céus, tão distantes das belezas e delícias comuns nas cidades construídas aos pés do mar. Por isso, têm mais do que direito de praticar o esporte número 1 do mundo em seus domínios. Além de ser considerado legal pelos regulamentos da tal Conmebol, é justo que mandem suas partidas em suas cidades de origem.

Por outro lado, a atual edição da Libertadores traz uma situação que me parece injustificável. O estreante e surpreendente Tijuana, do México, tem 100% de aproveitamento na competição e manda seus jogos em um estádio de grama sintética (?!?). O piso pode até ser considerado legal pela Fifa, mas é imoral, bem diferente da altitude. Aquele tapete cheio de bolinhas de borracha – terror de mães, esposas e namoradas – altera completamente a dinâmica do esporte. A bola corre, quica e desliza diferente. Expõe jogadores pouco habituados a lesões. Qualquer um que já se arriscou dentro das quatro linhas nas peladas de fim de semana sabe disso. Mais do que a dificuldade dos times visitantes com a nova realidade, o perigo é ter uma equipe especialista na nova situação. Uma vantagem absurda em um torneio dito sério e que envolve cifras astronômicas.

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