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‘O contexto está mudando’

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Considerado um dos melhores técnicos do tênis brasileiro, o gaúcho João Zwetsch esteve em Juiz de Fora no fim do ano passado e viu seu pupilo Guilherme Clezar conquistar o torneio de simples do JF Tennis Classic, evento que faz parte da série Future da International Tennis Federation (ITF). Durante sua estada, o atual capitão do Brasil na Copa Davis fez uma análise do momento atual e sobre o futuro do esporte no país.

Ex-técnico de grandes nomes como Flávio Saretta e Thomaz Bellucci (melhor tenista brasileiro na atualidade e 37º no ranking mundial), Zwetsch defende a atual postura da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Em entrevista à Tribuna, ele falou sobre o projeto olímpico da CBT e acredita que o país pode ter até três representantes nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

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O técnico, que atualmente treina Clezar (306º no ranking mundial) e Caio Zampieri (255º), viveu os melhores momentos de sua carreira de atleta nos torneios de duplas, chegando a ocupar a 205ª posição no ranking mundial, em 1991. Parceiro de Gustavo Kuerten nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, em 1995, nesta entrevista Zwetsch fala sobre a importância do companheiro para o desenvolvimento do esporte no país.

Sobre a Davis, o atual capitão do Brasil acredita que sua equipe tem condições de retornar ao grupo mundial em 2012. Ano passado, os brasileiros fizeram um duelo apertado contra a Rússia em setembro, mas acabaram derrotados por 3 a 2 na repescagem. Para Zwetsch, falta surgir um novo tenista do mesmo nível de Bellucci para que o país possa sonhar com algo mais na competição internacional.

Tribuna – Qual a importância da realização de torneios como o JF Tennis Classic 2011 para a disseminação do esporte no país?

João Zwetsch – Os torneios Future são aqueles nos quais os jogadores mais jovens buscam seus primeiros pontos no ranking e começam a vivenciar o tênis profissional. Hoje em dia, dentro do Brasil, temos este tipo de competição durante todo o ano, o que é muito interessante para os iniciantes.

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– O que achou da estrutura do torneio em Juiz de Fora?

– O local onde a competição foi disputada tem cinco quadras, o que é suficiente para a realização de um torneio como esse. Toda a estrutura, desde o transporte até outros fatores que envolvem os jogadores, também foi ótima. O fundamental é isso: a possibilidade de jogadores e treinadores realizarem seus trabalhos de maneira tranquila.

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– Atualmente você é o treinador de dois atletas, o Guilherme Clezar e o Caio Zampieri. Quais são suas perspectivas para o futuro destes dois tenistas?

– São dois atletas em situações diferentes. O Guilherme tem 18 anos, e o Caio, 24. O Guilherme é um jogador que tem um potencial muito grande. Estamos trabalhando desde o início de 2011. Temos a expectativa de que ele possa estar entre os cem primeiros do ranking em até três anos. Já o Zampieri tem uma experiência maior. Estamos buscando uma linha de trabalho mais adequada para que ele possa também buscar um ranking mais alto.

– E como é a experiência de ser capitão brasileiro na Copa Davis?

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– Existe uma expectativa muito grande de o Brasil voltar ao grupo mundial. Estamos batendo na trave há três anos. Acho muito importante a postura que os jogadores brasileiros têm em relação à Copa Davis, sempre com uma dedicação muito grande. Eles priorizam a competição dentro dos seus calendários. É uma honra ser capitão, e e espero contribuir da melhor maneira possível.

– Ano passado, o Brasil foi derrotado pela Rússia em um embate muito equilibrado e não conseguiu voltar ao grupo mundial. Quais as reais perspectivas da equipe na edição 2012 da Davis?

– Pelo nível atual, nosso tênis não tem uma equipe para entrar no grupo mundial e brigar por uma coisa maior. Mas temos capacidade para voltar à elite este ano. Chegando lá, é outra situação. Os que estão hoje no grupo mundial são times fortíssimos, que têm pelo menos dois jogadores entre os 50 melhores do mundo. A nossa realidade ainda não é essa. Temos hoje o Thomaz e estamos buscando um segundo atleta que possa acompanhar esse nível, para que possamos almejar algo maior.

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– O que é preciso para mudar este cenário?

– Hoje temos uma estrutura que não tínhamos antigamente. Nossa confederação ficou mais atuante de cinco anos para cá. O contexto do tênis está mudando por conta desta nova postura. Em um pouco mais de tempo, veremos isso refletido nos jogadores. O tênis é um esporte no qual nada se faz de imediato. Temos que ter paciência antes de colher os resultados.

– O Brasil vai sediar as Olimpíadas de 2016. Há tempo hábil para se formar uma geração vencedora, com condições de brigar por medalhas?

– Sim. Já existe um projeto, do qual faço parte, da Confederação em conjunto com a empresa do Guga e o Ministério do Esporte. Um projeto olímpico, no qual o Guilherme Clezar está incluído, entre outros garotos como o Thiago Monteiro, o Tiago Fernandes, o João "Feijão" Souza, o Bruno Santana, o João Sorgi e o próprio Bellucci. Todos com grande potencial. Até 2016, eles serão tratados com muito carinho e atenção. Nossa expectativa é que possamos ter dois ou três representantes nas Olimpíadas de 2016.

– O Gustavo Kuerten continua como principal referência do esporte no país. Você acha que o tênis brasileiro atual é carente de ídolos?

– Claro. Mas acho que o Guga transcende um pouco o tênis. É um ídolo nacional, como Senna e Pelé. Caras que se destacam não só pela projeção dentro do esporte, mas também pela pessoa, pelo caráter, pelo carisma e pela maneira que se colocam dentro das atividades que se propõem a fazer. Quanto mais ‘Gugas’, melhor. Mas a gente sabe que isso não será fácil.

– É possível prever um prazo mínimo para o surgimento de um novo ídolo no tênis brasileiro?

– Não gosto dessa história de prazos. É muito difícil. O Guga foi um atleta e uma pessoa diferenciada, que soube construir sua carreira. Espero que ele possa inspirar, ou continuar inspirando, os jovens tenistas. Temos que valorizar os bons exemplos. Não é só o Guga como tenista, mas também como pessoa. Isso é o que temos deixar sempre muito vivo. Claro que o surgimento de novos ídolos seria bem-vindo.

– O tênis é tido como um esporte de elite. O que fazer para popularizar o esporte no Brasil? Realmente, é um esporte caro para se praticar?

– Para ser um tenista profissional tem que viajar muito desde as categorias de base. Muitas vezes, para fora do Brasil. Isso já faz com que o investimento em uma carreira se torne algo caro. Por outro lado, quem gosta de jogar tênis de forma amadora, não é tão caro. No Brasil, temos a carência de quadras públicas, o que ajudaria muito a popularizar o esporte. Tirando isso, o que se precisa para praticar tênis é apenas o material. Uma raquete, bolas e um lugar para jogar. Basta associar-se a um clube ou alugar uma quadra. Esse conceito do tênis elitista está caindo aos poucos. Estamos caminhando para uma popularização gradativa do esporte.

– Como avalia o atual cenário esportivo brasileiro, já pensando nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016?

– Minha vida inteira estive envolvido com o universo esportivo. Procuro acompanhar todas modalidades. Nós, que trabalhamos com o esporte, temos a consciência de que o planejamento é uma das coisas que mais têm influência nos resultados. De uns tempos para cá, o Brasil está aprendendo essas lições básicas e investindo em infraestrutura e em proporcionar todas as condições necessárias para que os profissionais possam fazer um trabalho. As federações e confederações estão se planejando melhor. Acho que nas Olimpíadas de 2016 iremos estar muito bem organizados.

– No mundo do futebol, dizem que não existem ex-boleiros, eles estão sempre jogando uma pelada. Saudade das quadras?

– Estou sempre em quadra com meus atletas. É uma coisa que gosto de fazer. Talvez eu goste de jogar mais hoje do que antes. Logicamente, existem limitações físicas. Estou com 43 anos e já não tenho mais o mesmo gás. Mesmo assim, a gente sempre tira um tempinho para entrar na quadra e bater uma bolinha.

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