Podia ser melhor
Não adianta. Até para o mais apaixonado torcedor de futebol, dezembro é o mês mais chato do ano. A já famosa coluna quem vai, quem vem, comum nos jornais esportivos, é mais sem graça que os programas de culinária da TV a cabo. É incrível como sempre temos especulações acerca dos mesmos nomes. Os campeões em presença nos noticiários são gringos. Se dependesse da mídia especializada nacional, o argentino Riquelme e o inglês Beckham já haveriam envergado um sem-número de camisas de clubes brasileiros. Andaram falando até que o francês Henry estaria no Brasil para negociar com o Corinthians. Eu me pergunto se esses factoides ainda enganam alguém ou se é a gente que gosta mesmo de ser enganado, só para manter o imaginário e o copo cheio nas discussões da mesa de boteco.
O fato é que qualquer coisa é destaque na pasmaceira. Até a final da sem graça Copa Sul-Americana entre o São Paulo e o desconhecido e domesticado Tigre, da Argentina. Mas não é isso que tem acontecido com a declaração de loucura pública dada pelos torcedores corintianos às vésperas do Mundial. Essa insanidade se destacaria em qualquer cenário. Manchete mesmo no dia da morte do genial Oscar Niemeyer.
É incrível o apego que o torcedor brasileiro tem pelo sonho oriental. Essa reverência poderia ser maior se o Mundial fosse melhor planejado pela Fifa. Se fosse mesmo como uma Copa do Mundo de Clubes, com pelo menos oito times – representantes da seis federações e do país sede, além do atual campeão – divididos em dois grupos de quatro, de onde os melhores avançariam para uma fase final em mata-mata. Acredito que um formato bem próximo ao adotado no criticado torneio realizado no Brasil, em 2000, seria o ideal para a competição cair no gosto dos frios europeus e perder de vez a conotação de amistoso de luxo dada pelos gringos.
No modelo atual, a joia da cora dos campeonatos mundiais parece mais um caça-níquel. Tanto que o torneio começou ontem sem pompas. No final de semana, mais dois jogos sem apelo popular. A parada só esquenta na quarta-feira, com a estreia do Corinthians, e na quinta, com o debute do Chelsea. Assim, corintianos, ingleses e a Fifa torcem como loucos para que os dois times avancem à final. Caso contrário, o Mundial ficará com aquele sorriso sem graça, típico dos amistosos da Seleção Brasileira, contra o gabões e taitis da vida.
