O novo e o velho
Aprendi com meu pai, gerontólogo por formação, que a nossa sociedade capitalista sempre valorizou tudo aquilo que é novo, volátil, rápido, efêmero e fácil de ser consumido. Só para constar, gerontólogo – para quem estiver sem acesso ao pai dos burros – é o assistente social especializado na terceira idade. Por outro lado, o que é antigo é visto como velho, ultrapassado. E nesse Brasileirão nós estamos vivendo a dicotomia do tempo. A verdadeira divisão entre os de pouca e muita idade.
Na última quinta-feira tivemos mais uma prova dessa difícil luta entre os antagonistas do tempo: o velho e o novo. Nos noticiários esportivos, vimos uma grande exaltação à novidade. E o novo da vez é Hyuri, jovem que veio do Audax, time do interior do Rio de Janeiro, estreou como titular pelo Botafogo contra o Coritiba, marcou dois gols e foi apontado pelos fãs da Estrela Solitária mais exaltados como o novo Vitinho – que em menos de sete meses se tornou a revelação do Brasileirão. É o novo, de novo.
Por outro lado, o mico da rodada ficou para Rogério Ceni, que pediu para bater uma penalidade máxima. Até outro dia, isso seria normal. Ceni, o capitão do Soberano… Só que hoje… Ele bateu, mas Gallato, goleiro do Criciúma, pegou. O São Paulo, que vive fase lamentável, perdeu mais uma partida. Aí, eu pergunto: será que os são-paulinos se lembram que esse é o mesmo Ceni que garantiu o título mundial contra o Liverpool, em 2005? Ou será que todos os pensamentos são pela aposentadoria compulsória do maior ídolo da história do Tricolor Paulista até o último ano?
Levo essa pequena reflexão para outro nível. Será que o Brasileirão que até outro dia era terra dos experientes – Alex, Seedorf, Juninho Pernambucano, Zé Roberto, Paulo Baier – vai cair na ótica capitalista de valorizar o novo e esquecer o velho?
PS: independente de tudo isso, espero que, pelo menos na Série D, quem faça a diferença seja o bom e velho Ademílson.
*Juliana Duarte volta a escrever neste espaço em outubro
