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Na orelha da bola

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Mascarada é a Fifa

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Eu nunca entendi como o Paulo Nunes conseguia jogar bola com aquela máscara de porco enfiada dentro do calção. E não jogava pouco. Também não entendia como, dez anos depois, Renato Abreu fazia a mesma coisa com uma máscara de urubu. Que ainda tem o bico. Entendia menos ainda como eles conseguiam, depois de 45, 60, 80 minutos de jogo, colocar aquilo na cara.

Mas isso, naturalmente, não era problema meu, como acho que não é da Fifa também, que há algum tempo resolveu proibir jogador de colocar máscara para comemorar gol. Qual é a desses engravatados que nunca chutaram uma bola (tirando o Michel Platini, que até que batia nela com jeito)?

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Eu entendo que eles tenham proibido atletas de levantarem ou tirarem suas camisas para preservar os patrocinadores. Entendo, mas não concordo. Como se estes conglomerados que emporcalham os uniformes não aparecessem o suficiente no decorrer dos jogos, nas vitrines de lojas e na barriga vazia dos torcedores que gastam uma grana preta para vestir o uniforme do time, não da multinacional.

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Mas impedir o cara de botar uma máscara? Nem a máscara com a própria cara o Neymar pôde usar, acabou expulso de campo na última quarta depois de fazer um gol mais bonito que a logomarca do Lucky Strike. Não discuto o cartão vermelho, já que a regra é conhecida por todos. Só questiono o absurdo de impedir a festa, a fanfarronice. Tem de frear a babaquização do futebol, senão a gente vai ter que aturar a sisudez daqueles senhores que se reúnem em Zurique passando para dentro de campo.

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