Menos de cinco meses após o rebaixamento no Campeonato Mineiro, o Tupynambás vive uma página histórica dos seus 109 anos. Na primeira vez em que disputa a Série D do Campeonato Brasileiro, a equipe juiz-forana conseguiu ultrapassar a fase inicial e alcançar o mata-mata do certame. A temporada, que parecia perdida em julho, ganha um capítulo de reviravolta com data, horário, local e adversário: neste domingo (6), às 16h, o Baeta enfrenta a Aparecidense-GO pela primeira partida da segunda fase da competição nacional, com transmissão on-line pela plataforma MyCujoo/CBF TV .
Com contornos heroicos, o Tupynambás chega entre as 32 melhores equipes da quarta divisão após vencer o Bahia de Feira pela última rodada da fase de grupos, na semana passada. O gol solitário de Fabinho Alves na Arena Cajueiro, em Feira de Santana (BA), garantiu o quarto lugar da chave A-6 e acesso à fase seguinte. Em 14 partidas, o Baeta teve cinco vitórias, seis empates e apenas três derrotas, com 23 pontos conquistados. “O grupo está com um espírito muito bom, de confiança, de acreditar, já que nas últimas cinco rodadas de classificação nós vencemos quatro e empatamos uma partida”, avalia o treinador Guiba.
foto: Leonardo Costa
A classificação da Aparecidense foi mais tranquila. Os goianos foram líderes do grupo A-5, com 28 pontos conquistados em campanha de oito vitórias, quatro empates e duas derrotas. O setor ofensivo da equipe de Goiás, inclusive, foi o segundo mais positivo da competição até agora, com 32 gols marcados.
foto: Fernando Priamo
Confiança renovada
Cento e vinte e oito dias separam o rebaixamento do Tupynambás – confirmado após goleada por 4 a 0 para a Caldense, em Poços de Caldas – e o encontro deste domingo entre Baeta e Aparecidense. No período, o treinador Guiba, que participou de apenas três partidas do Estadual, foi mantido e chefiou a renovação da maior parte do elenco. Entre idas e vindas, o comandante aponta um fator que foi completamente remodelado: a confiança. “Montamos um grupo com alguns atletas diferentes e com alguns que permaneceram no Mineiro, mas o espírito é diferente. É um grupo novo, remontado e competitivo, que demonstrou isso dentro da Série D”, analisa.
De espírito fresco, o Baeta tem a missão de melhorar o desempenho em território juiz-forano. Em sete partidas dentro de casa na primeira fase, o Leão do Poço Rico venceu apenas duas. O problema é reconhecido pelo treinador, que acredita em um melhor aproveitamento no mata-mata. “Na segunda fase, as coisas vão ser diferentes. A confiança aumentou nesses últimos jogos. Agora, são dois jogos e outra forma de competição. Acredito que a equipe vá jogar bem dentro de casa”, projeta Guiba.
Reviravolta pessoal
Para conter o poderoso ataque goiano, o Tupynambás contará com um rosto conhecido do torcedor, mas que permaneceu fora por um longo período. O goleiro Renan Rinaldi deverá retomar o lugar na equipe titular no confronto contra a Aparecidense após a suspensão de Arthur. De forte identificação com o Baeta, Rinaldi retorna dez meses após sofrer lesão em partida do Campeonato Mineiro, contra o Atlético-MG, ainda na metade de janeiro.
Recuperado de lesão, o arqueiro se diz fisicamente apto para ajudar o Tupynambás e escrever outra página de superação, individual e coletivamente. “Acho que a trajetória do Baeta, se for colocar em uma palavra, é superação. Nós saímos de uma situação totalmente adversa, que foi o rebaixamento no Mineiro, e estamos fazendo uma boa campanha na Série D. Acho que podemos fazer coisas maiores, buscar lugares mais altos dentro da competição”, projeta.
Em 2019, o goleiro conseguiu projeção após ótimo desempenho no Campeonato Mineiro. Na ocasião, ele chegou a se transferir para o tradicional Santa Cruz (PE), onde disputou a Série C do Brasileirão. O mata-mata da quarta divisão, segundo o atleta, é uma possibilidade para o grupo novamente alcançar visibilidade. “É uma competição que pode proporcionar um contrato melhor em um clube maior, que é o que todos os profissionais queremos. Isso passa pelo jogo de domingo, que é o mais importante para o Baeta”.
Sem reforços no mata-mata
A diretoria do Tupynambás optou por não reforçar o elenco para a sequência da temporada. Em conversa com a Tribuna na segunda-feira (30), o vice-presidente Cláudio Dias havia revelado a intenção de contratar até três atletas. Após avaliações com o treinador Guiba, no entanto, o dirigente optou por rever a posição. “A opção foi por valorizar o grupo atual que conquistou a classificação”, justifica.
Apenas um caso de Covid
De acordo com o responsável pelo departamento médico do Baeta, Marco Aurélio Saggioro del Papa, o Dezoito, apenas um integrante do clube testou positivo nos exames realizados para a partida de domingo. Trata-se de José Luís Peixoto, auxiliar técnico da equipe. Ele, conforme Dezoito, está assintomático e, tão logo recebeu o resultado, está isolado em casa, cumprindo a quarentena.
“Goleiro” Esquerdinha
Ao mesmo tempo em que o embate entre mineiros e goianos marca uma página inédita na história do Baeta, ele também recorda um fato inusitado de repercussão mundial ocorrido há sete anos. Era dia 7 de agosto de 2013 quando o massagista Esquerdinha, da Aparecidense, teve um lapso de goleiro, invadiu o gramado e tirou um gol do Tupi, que enfrentava a equipe goiana pelas oitavas de final da Série D.
O lance aconteceu no Estádio Mário Helênio no momento em que a partida estava empatada em 2 a 2, resultado que garantiria a passagem da Aparecidense e a eliminação do Tupi. Aos 44 minutos da etapa final de partida, Ademilson teve a bola do jogo, finalizou e venceu o goleiro da equipe adversária, mas parou no massagista, que esticou a perna direita para defender o chute e o rebote.
O Galo, na ocasião, saiu eliminado de campo, mas recorreu à Justiça desportiva que determinou a exclusão da Aparecidense do torneio. O Tupi então avançou à fase seguinte contra o Mixto (MT), em duelo que selaria o acesso juiz-forano à Série C, mesmo objetivo do rival do Poço Rico nesta temporada.
