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Na orelha da bola

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O que teve de bonito e o que teve de feio

Bonito ontem foi ver a vitória de Alessandro Zanardi nas Paralimpíadas de Londres. O cabra perdeu as duas pernas em um dos acidentes mais feios da história do automobilismo. Tinha tudo para se enterrar em depressão, mas até hoje corre de carro. Não satisfeito, resolveu correr de bicicleta também. Sem pernas. De forma competitiva. E meteu uma medalha olímpica de ouro no peito.

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Feio foi ver o futebol pavoroso do Flamengo contra a Ponte Preta no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. Nem as lindas defesas de Edson Bastos – autor também do lançamento que resultou no gol do xará – salvaram a noite ontem na Cidade do Aço. Azar do rubro-negro que pagou ingresso para ver um joguinho sem-vergonha. Sorte do pessoal de Campinas, que viu de casa mesmo, comendo um amendoim e coisa e tal, e comemorou os 3 pontos, rindo à toa.

Bonito foi ver o Seedorf fazer aquele golaço ontem, o primeiro do Botafogo contra o Cruzeiro. Foi bonito, mas mais bonito ainda foi ele, o Sidão, estrela internacional, campeão de quase tudo, em vez de sair batendo no peito gritando Eu sou f…, eu sou f…, como a boleirada daqui gosta de fazer, virar para agradecer o cruzamento perfeito de Fellype Gabriel.

Feio foi ver o ciclista brasileiro João Alberto Schwindt (que tem as duas pernas) perder a largada de sua prova em Londres porque foi dar uma corridinha até o banheiro para se aliviar. Pior que aquela história do sumiço das varas da Fabiana Murer em Pequim-2008. E pior ainda que a do Vanderlei Cordeiro de Lima, agarrado por um padre irlandês doido em Atenas-2004.

Mas nada foi mais bonito do que ver Romário meter o dedo na cara da Confederação Brasileira de Futebol, acusando a entidade, seus cartolas e comissão técnica de usar a entidade para valorizar jogadores.

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O Baixinho chegou mesmo a pedir uma auditoria na entidade.

E nada seria mais feio para o Brasil do que ver confirmadas tais suspeitas.

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