A derrota
A costumado com as desventuras da vida pública, o ex-vereador Romilton Faria revelou certa vez que, depois de uma derrota, nem o vento bate mais nas suas costas e seu cachorro resmunga quando você volta para casa. A sensação de desolação é inevitável. Nessas ocasiões, até para não complicar ainda mais as coisas, o melhor a fazer é botar a viola no saco e aguardar pela próxima eleição ou, no caso do Cruzeiro, pela próxima rodada. Mesmo porque, sentimento de mau perdedor só faz aumentar o prazer do seu algoz.
Tem torcedor que até prefere ver seu time vencer com uma ajudinha do árbitro para fazer aflorar no adversário a coisa do mau perdedor. A indignação de quem perde, nesses casos, é tamanha que a derrota acaba levando a alguma insanidade. Tenho um conhecido que, a cada revés do Fluminense, lavra uma declaração de próprio punho comprometendo-se a não torcer mais pelo Tricolor. Pior: o documento tem sempre como testemunhas flamenguistas, vascaínos e botafoguenses.
Há outro tipo de perdedor que apela para o sentimentalismo. Outro dia, em um debate esportivo na TV, um torcedor do América-MG contava das dificuldades enfrentadas pelo clube para voltar à Primeira Divisão. Depois, ainda chorando, debulhou seu rosário de lamentações sobre sua atual situação no Campeonato Brasileiro. Em dezembro de 2008, na véspera de ver seu time rebaixado, um torcedor do Vasco declarou em uma rádio que estava triste por não ser mais nem motivo de zombaria, mas apenas digno de dó.
O Vasco hoje segue na Primeira Divisão e, diga-se de passagem, muito bem. O Fluminense ainda perde uma aqui outra ali, mas nada absurdo demais. O Cruzeiro perdeu mais uma, mas está repatriando Wellington Paulista, que também não vai resolver nada. O Romilton Faria vai retornar à Câmara de Vereadores. O Flamengo segue invicto, mesmo sem saber o porquê.
