O sonho do hexacampeonato terminou nas oitavas de final, mas a derrota do Brasil para a Noruega no último domingo (5) deixou, além da frustração, reflexões sobre o futuro da Seleção. Personagens que marcaram a cobertura da Tribuna de Minas durante a Copa do Mundo analisaram a eliminação, apontaram os erros da equipe e defenderam uma renovação pensando no Mundial de 2030.
Nas avaliações de Juan Filho, o ‘sósia do Vini Jr.’; Daniel Caetano, menino autista de 9 anos com hiperfoco em futebol, e os técnicos Rafael Novaes e João Proba, o diagnóstico é o mesmo: o Brasil pecou nos momentos decisivos e precisa olhar para 2030.
Sósia do Vini Jr.
O sósia juiz-forano do atacante Vinicius Jr, Juan Filho, acompanhou todos os jogos do Brasil e alimentava a esperança do hexa. A eliminação veio com a sensação de que a escalação e a postura em campo poderiam ter sido diferentes.
Para ele, o Brasil pecou ao entrar nervoso em uma decisão. A marcação falhou nos momentos críticos, e a ansiedade comprometeu o coletivo. “O jogo foi pegado, mas o Brasil entrou nervoso. No meu ponto de vista, outras peças tinham que ter entrado de titular, como o Neymar. Foi muito difícil, estou triste. Gosto muito de futebol, esperava bem mais. Marcamos muito errado, é só tristeza”, diz Juan.
Daniel Caetano
Daniel Caetano tem 9 anos, é autista e tem no futebol o seu principal hiperfoco. Durante a Copa, o menino juiz-forano que grava vídeos para as redes sociais e sonha em ser comentarista surpreendeu pela capacidade de analisar tática e estatisticamente as partidas. A eliminação foi recebida com a maturidade de quem já entende o jogo além da superfície, mesmo que acompanhada de choros.
Na visão do pequeno torcedor, a derrota tem culpados definidos – o pênalti perdido por Bruno Guimarães como ponto de virada – e a solução também. Ele reconhece a atuação do goleiro norueguês e entende que o ciclo se encerrou, defendendo que é hora de renovar o elenco.
“Que derrota decepcionante, fiquei muito triste. A Noruega não joga uma Copa do Mundo há 28 anos, o goleiro deles estava inspirado. O Bruno Guimarães não podia perder aquele pênalti. O Neymar, que não marcava na Seleção desde 2023, marcou de pênalti, mas não adiantou de nada. O Haaland teve duas chances e fez dois gols. No primeiro tempo, o Brasil estava bem, segurando. No segundo tempo, desandou tudo. Temos que renovar para 2030. O sonho do Hexa ficou para lá”, declara o garoto.
Rafael Novaes
Técnico com passagens por Tupi, Tupynambás e Villa Real, além de experiência no Haiti com atletas que disputaram a Copa, Rafael Novaes enxerga que o Brasil sofreu do que vem acontecendo durante a Copa: um grande equilíbrio entre as seleções.
Novaes aponta que a pressão pesou nos momentos decisivos, enquanto a Noruega foi cirúrgica. A saída, na visão dele, passa por um planejamento de longo prazo, apostando em jovens promessas sem a ansiedade por resultados imediatos.
“Em uma Copa do Mundo com seleções tão parecidas, tirando a França e a Argentina em um degrau a mais, é uma Copa muito igual. Os pequenos detalhes fazem toda a diferença. O Brasil teve oportunidade de sair ganhando, e isso em um mata-mata é diferente. Mesmo não tendo mais posse de bola, criou as melhores oportunidades e não converteu. O Brasil vinha em uma crescente, mas nessa a pressão falou mais alto. A Noruega foi cirúrgica nas oportunidades que teve. Acho que é hora de repensar a reconstrução, colocar novos valores e apostar a longo prazo com as jovens promessas, com só um ou outro mais experiente. Não esquentar com resultado a curto prazo, mas trabalhar para a próxima Copa”, analisa o técnico.
João Proba
Treinador do Centro de Futebol Zico e com passagem pelo Uberabinha, João Proba acompanhou a partida com a visão de quem forma atletas e conhece os ciclos do esporte. Para ele, a eliminação escancara a dificuldade do Brasil em traduzir domínio em resultado nos momentos que realmente importam.
“Gostei da postura brasileira no primeiro tempo, principalmente no primeiro quarto, em que tivemos o pênalti. Mas no mata-mata ganha a equipe que menos erra e aproveita melhor as oportunidades de gol. O Brasil tinha que seguir esse pretexto, mas não seguiu. Acho que o Vinicius Júnior deveria ter batido, pelo momento dele e por ser referência da Seleção. Durante o jogo, tivemos outras oportunidades, como a do Endrick. É aquela frase, ‘quem não faz, leva’. O centroavante mais letal do mundo teve duas chances e fez. A sensação é difícil, mas com esperança daqui a quatro anos, com jovens que vão manter e alguns experientes, como Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães”, pondera.
