Em tempos de comemorações cada vez mais concentradas nas redes sociais, um grupo de estudantes universitários resolveu recuperar uma cena que marcou gerações de brasileiros em anos de Copa do Mundo: a pintura das ruas com as cores da Seleção.
A iniciativa aconteceu no último domingo (31), em São João del-Rei, cidade localizada a cerca de 160Km de Juiz de Fora, após o amistoso da Seleção Brasileira contra o Panamá. Cerca de 40 estudantes se reuniram em uma rua do Bairro Bonfim para colorir o asfalto de verde e amarelo, em uma mobilização que envolveu moradores de diferentes repúblicas universitárias da cidade.
Segundo apuração da reportagem, participaram estudantes das repúblicas “100 Noção”, “Xilau”, “Duavesso”, “Bombar”, “Vira Caneca”, “Sina Nossa” e “Catedral”, em uma ação que reuniu tanto casas masculinas quanto femininas.
Para Júlia Gomes, a “Babalu”, moradora da República “Duavesso”, o movimento ajuda a fortalecer os laços entre estudantes e a própria cidade.
“A Copa por si só já une todo mundo, mas quando envolve república isso multiplica. Esse tipo de movimento mostra que a gente não está aqui só para dividir casa e estudar. Somos uma comunidade viva e ativa na cidade, capaz de movimentar a rua, integrar pessoas de diferentes cursos e repúblicas e deixar o bairro mais alegre“, cita Júlia, que é estudante de Engenharia de Produção.
A percepção é semelhante para Michael Jhones, o “Castanha”, da República “Bombar”. Para ele, a ação também dialoga com a história das repúblicas estudantis.
“Vai muito além da tradição republicana. É o amor, a paixão e a dedicação pelas histórias das repúblicas universitárias de São João del-Rei e pelo futebol brasileiro, especialmente em ano de Copa do Mundo”, destaca Michael, que é graduando em Engenharia Elétrica.
Entre nostalgia e convivência
Morador da República “Catedral” e estudante de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Diego Galvond, também conhecido como “Maridão”, conta que a organização ocorreu de forma colaborativa. Os participantes dividiram os custos dos materiais e as tarefas durante a pintura.
“Quem tinha mais experiência com desenho fazia as marcações no chão, enquanto outras pessoas pintavam”, relembra.
Também estudante de Comunicação Social, Ana Beatriz Dalchow, a “Pilar”, vê a iniciativa como uma forma de resgatar memórias que marcaram a infância de muitos brasileiros.
“Foi um momento muito legal para relembrar a infância, esquecer os problemas e curtir com pessoas que gostamos da companhia, além de relembrar uma linda tradição do Brasil”, avalia.
A ideia surgiu inicialmente dentro das próprias repúblicas. João Pedro Rodrigues Leite, o “Mondrongo”, estudante de Administração e morador da República “100 Noção”, conta que a proposta começou entre repúblicas do próprio bairro, o Bonfim, e acabou atraindo outros estudantes à medida que a mobilização se espalhava.
Ele lembra que, durante a Copa de 2022, os moradores já haviam decorado a casa onde residiam, mas sem conseguir ampliar a iniciativa para a rua.
Para João Pedro, a tradição das ruas pintadas representa algo que vai além do futebol.
“O Brasil é o país do futebol. Desde sempre, ele representa a união de amigos para jogar, assistir aos jogos e esquecer um pouco dos problemas do dia a dia. Na universidade também existe essa união. E nada se compara a uma Copa do Mundo, quando todo mundo torce pelo mesmo time. Pintar as ruas é um símbolo de que estamos juntos por um objetivo comum“, finaliza.

