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Os pés pelas mãos

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Quarta-feira de Cinzas fora de época

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Queria falar da campanha criada por argentinos para que Maradona estampe a nota de 10 pesos. Estapafúrdia e genial como o craque. Seria o mote para versar sobre os grandes de minha geração e de Messi. CRAQUE em caixa alta. Mas é preciso algo mais para sentar na mesma mesa de Romário, Ronaldo e Zidane. Se Dieguito vale 10 pesos, Messi ainda é troco. Falta-lhe uma Copa só sua. Porém, esse papo fica para outro dia. Não há como ignorar o que ocorreu nas oitavas da Libertadores. A eliminação de quatro brasileiros vai além do clichê e da caixinha de surpresas. O verbete impossível tornou-se obsoleto. Duvido que alguém poderia prever tal sina. Quem recorreu ao lendário aposto duas cervejas vai contar as moedinhas e ficar de bico seco.

É difícil entender o que aconteceu. Com relação ao Tricolor gaúcho, não há muito o que falar. Imortal como um catedrático da Academia Brasileira de Letras, estava morto de véspera. Desfalcado, peleou mas sucumbiu. Ainda no Sul, a eliminação do Colorado lembra os ocasos nos quais a certeza é tão grande, tão absoluta, que joga contra. Eu mesmo fui traído pelo gol de Oscar. Cravei: Esse ano a taça é de um brasileiro. Balela! Ao menos no que depender do Inter. Faltou cancha para Falcão. O Peñarol roeu a roupa do Rei de Roma.

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A mesma inexperiência pesou nos ombros de Enderson Moreira, que montou mal o Flu. Ou teria sido Fred? O Tricolor estava amarrado como um jogo de prego. Nem na defesa, nem no ataque. Só na base do bumba-meu-boi-oxalá-meu-pai das trombadas de Rafael Moura e Fred. A derrota custou a guerra. Após o Libertad, dores nas Laranjeiras.

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Porém o imponderável trajou a camisa do Galo. Torceu tanto que o Cruzeiro tomou um caldo em casa. 2 a 0 para o Once Caldas é injustificável. Ou não. A expulsão de Roger não passaria impune. Se eu assinasse Perrella, mandaria o meia passar no RH. Com seu destempero, Cuca também deu sua contribuição. Não soube trabalhar a vantagem. Trocou a alcunha pelo cotovelo. Lamentável.

E o fechamento das oitavas da Libertadores foi boa para o Corinthians (?), que comeu o pão que o escárnio amassou após a eliminação para o Tolima. Muitos que o debocharam saíram pela mesma porta. De quebra, rival na final do Paulistão, o Santos vai ter que ir para a Colômbia entre uma decisão e outra.

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