A falível matemática da crônica esportiva já despejou sua praga com relação ao destino do Flamengo na Libertadores 2012. Ontem foi dia dos estatísticos protagonizarem as notícias que estampavam o pífio índice de 8% de chances de o Rubro-Negro avançar à segunda fase da competição continental. Particularmente, acredito na classificação dos cariocas. Não por merecimento, pois até aqui não fizeram nada que justificasse a vaga no mata-mata. Creio por saber que o futebol é a terra do improvável. Aí, reside sua graça. E de improbabilidade o Fla entende, basta ver as vitórias que deixou escoar pelos dedos nas três últimas rodadas do torneio sul-americano.
Mas, para se apegar ao improvável, é necessário mais do que esperar por um milagre. É preciso ter atitude. Algo que anda distante da Gávea. Parece que a empáfia de um craque em decadência, que, como um Curupira, prefere jogar com o calcanhar ou olhar para um lado e tocar para o outro, contaminou toda a equipe. O Rubro-Negro está se perdendo na falta de empenho e de vontade de jogar de Ronaldinho Gaúcho.
Para o Flamengo voltar a ser Flamengo, o segredo passa pelo espírito de Love. É ele quem deve dar exemplo e contagiar o restante da equipe. Quando se peca na parte técnica, é preciso raça. Isso, o Artilheiro do Amor tem de sobra. Mas para que o atacante seja referência, Ronaldinho deve ser tirado dos holofotes. Joel Santana tem que ser mais que o Papai Joel ou o velho motivador. Precisa ter coragem para cobrar o milionário craque decadente. Até mesmo, dar um chá de banco no Gaúcho. Só o coração, que a mística rubro-negra tem de sobra, é capaz de operar milagres e transformar o improvável em realidade.
