O torcedor
O melhor do futebol não é o time, mas a torcida. Não fosse aquele seu irmão, vizinho, sogro ou amigo fanático, não teria graça alguma torcer contra as cores defendidas por ele. Quando o Cruzeiro venceu o Atlético por 6 a 1, meu irmão mais velho parou de torcer para o Galo. Acabei entrando em crise futebolística existencial. Os 30 anos de cruzeirense, de repente, pararam de fazer sentido; perderam a graça. Quando ele me procurou, no ano passado, para falar do Ronaldinho Gaúcho, foi minha redenção.
Há duas semanas, estive com um amigo espanhol torcedor do Barcelona. Ao falar do seu time, antes mesmo de mencionar o nome de Messi, ele falou da alegria de ver a torcida do Real Madrid indignada com Mourinho. Sua satisfação era tanta que seu desejo para 2013 era que o treinador português seguisse à frente de seu maior rival. Entre o belo futebol da equipe da Catalunha e a ira dos torcedores adversários, meu amigo ficou com a segunda opção.
Mesmo aqui em Juiz de Fora, há quem defenda o fato de o Tupi não conseguir decolar devido à ausência de uma torcida adversária. Voltassem os embates entre o Carijó e o Periquito ou o Leão do Poço Rico, a história seria outra. Não sei se é para tanto, mas, pelo menos, o clima seria outro. Por se tornar uma espécie de time oficial de Juiz de Fora, beira o pecado criticar o Tupi, mesmo nos seus fracassos. Isso não é bom.
Conto isso para explicar minha situação frente ao Corinthians. Mesmo trazendo na alma a herança dos emboabas, não tenho gratuitamente nada contra os times de São Paulo. Não posso, entretanto, ouvir calado o Renato Salles afirmar categoricamente que o Alexandre Pato foi a grande contratação dos primeiros dias do ano. Esqueceu o ilustre articulista de Santa Terezinha que o Santos horas antes havia contratado Montillo.
Por essas e outras é que o futebol brasileiro sem corintianos e flamenguistas seria sem graça.
