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‘Dentro da área não vale’: memórias e depoimentos sobre o futebol de salão

esp livro time do Caveme de 1973 com Salomão destacado foto Marcelo Ribeiro

Equipe do Caveme, de 1973, também foi recordada no livro, com Salomão (circulado), Júlio Maravilha e outros destaques locais (Reprodução/Marcelo Ribeiro)

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“As pessoas querem falar da sua vida, querem falar da sua história.” Márcio Itaboray, autor do livro que dá base ao documentário (Foto: Divulgação)

“Eu não moro no passado, mas o passado mora em mim.” A frase de Paulinho da Viola é lembrada por Márcio Itaboray no começo do documentário “Dentro da área não vale”, que narra histórias sobre o futebol de salão em Juiz de Fora. A obra é feita em conjunto com o livro homônimo, lançado em 2019, e parece reverberar justamente esse encontro entre os dois tempos. Em meio a muitas histórias e depoimentos, a memória da cidade vira tema central nas conversas sobre a vida futebolística dos participantes.

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O nome do documentário marca a diferença entre o que era o futebol de salão e o que é o hoje o futsal. Mais do que isso, no entanto, Márcio Itaboray, um dos autores e organizadores do livro, fala que é também “uma diferença metafórica entre dois tempos distintos”. Isso ocorre porque, afinal, são depoimentos que vêm de vivências dos anos 1960 e 1970, tendo o futebol de salão como foco.

A ideia de começar o projeto surgiu em conversas entre os amigos que participaram desse momento esportivo da cidade. “A gente brincava muito lembrando de lances e resultados”, conta Carlos Salomão, também autor e organizador do documentário. Segundo ele, quando os jogos universitários de futebol de salão aconteciam, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) tinha que entrar em recesso tamanha a empolgação de todos.

Para que o livro tomasse a forma de documentário, foi preciso convocar um “jogador” experiente no assunto para entrar “em campo”. Para esta função, foi escalado o jornalista Felipe Hutter, que roteirizou e dirigiu o vídeo. Os encontros regados a lembranças dos amigos, desta vez, foram gravados em imagens. As fotos da época foram se juntando aos rostos atuais e aos nomes dos que são lembrados. Para Felipe, o mais marcante “foi ver o quanto as pessoas queriam contar essas histórias”.

O diretor ressalta, assim como os autores, que essa não é “uma história oficial do futebol de salão da cidade. São depoimentos de como as pessoas se lembram e contam”. São 18 relatos de vivências diferentes da época. É como uma conversa entre amigos, em que muitos nomes surgem, e as pessoas se reconhecem uma nas histórias das outras.

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“Se a gente não contar essa história, daqui a pouco nem vão saber mais o que era futebol de salão”, defende Carlos Salomão, um dos organizadores do documentário (Foto: Divulgação)

LEIA MAIS: Futebol de salão dos anos 1960 e 1970 em JF é relembrado em livro

Um roteiro feito de histórias

A ideia do documentário partiu da esposa de Carlos, a jornalista e professora da UFJF Christina Musse. Com um extenso estudo sobre a memória, ela identificou que esses depoimentos, gravados para o livro, poderiam ter vários rumos. Foi aí que Felipe entrou no projeto. Seria dele a missão de reconvocar os amigos para uma nova sessão de depoimentos, desta vez, com o auxílio da imagem “para ilustrar essa geração de futebol de salão”.

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Fotos da época foram inseridas no documentário para que as histórias contatadas tivessem cenários, e assim, uma Juiz de Fora do passado é apresentada. Um recurso que agrada o autor do livro, Márcio Itaboray, que diz gostar que suas obras abordem como era a vida na cidade, nos bares e nas ruas.

Em seu depoimento para o documentário, Márcio defende o resgate das memórias e diz não entender o que ele chama de preconceito contra o saudosismo. O escritor não tem dúvida de que é preciso rememorar o passado. “As pessoas querem falar da sua vida, querem falar da sua história.”

Para Carlos Salomão, muito mais que relembrar fatos, o documentário é uma maneira de informar as futuras gerações. “Se a gente não contar essa história, daqui a pouco nem vão saber mais o que era futebol de salão.”

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Felipe, que é de uma geração mais jovem do que os autores, achou interessante descobrir a cidade com esse olhar do passado. A expectativa dele e dos outros envolvidos no projeto é de que os espectadores sintam o mesmo, conheçam uma Juiz de Fora até então desconhecida de muitos.

E para quem conheceu e vivenciou todas as histórias, os autores garantem que vale a pena a oportunidade de revisitar uma época que deioxu saudades.

Reencontro marcado

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O documentário será exibido pela primeira vez na próxima segunda-feira (6), às 19h, no Bar da Fábrica. Logo em seguida, às 20h, ele será disponibilizado no YouTube para todos. Para Felipe, que está ansioso para o evento, vai ser uma emoção “poder ver as pessoas assistindo e se encontrando com o que elas falaram nos depoimentos. É muito diferente a sensação de ver”.

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