Caros e caras, nesse fim de semana meio sonolento e de derrota da Seleção me emocionei de verdade com as lições dadas por um brasileiro que veio de baixo. Como quase todos em minha geração, fui apresentado ao boxe com as lutas de Maguila, curti a fase demolidora de Mike Tyson, com o direito ao ocaso do ídolo George Foreman, vi combates de Evander Holyfield e Lennox Lewis. Todos grandes campeões dos pesos pesados. Paralelamente, pude acompanhar o surgimento e consolidação de um garoto pobre, da periferia de Salvador, que mais tarde ganharia quatro cinturões do mundo em dois pesos diferentes. Acelino Popó Freitas foi, sem dúvida, o maior boxeador brasileiro que vi lutar, capaz até de me fazer aguentar as narrações tresloucadas de Galvão Bueno madrugada adentro.
Pois bem, no último sábado, sei lá com que intenção, o brasileiro radicado nos Estados Unidos Michael Oliveira, que até hoje só ganhou um título latino – observem, nem é mundial – colocou à prova o talento de Popó para a nobre arte, cinco anos e diversos quilos a mais após sua aposentadoria. E o eterno campeão deu algumas aulas de boxe no combate. Bateu no oponente, como disse que faria, durante os nove rounds da luta, até derrubá-lo e o juiz ficar com pena do menino, declarando nocaute técnico. Se esquivou das pancadas de Oliveira com maestria. Assimilou bem quando foi atingido. Houve tempo até para fazer algumas brincadeiras. E, depois da vitória, ainda mostrou toda sua humildade, chegando a dizer que quer ajudar a carreira do derrotado.
Mas acima de tudo Popó deu uma grande lição ao pai de Michael, Carlos Oliveira. Foi ele quem começou a série de comparações entre o filho e o campeão aposentado, inclusive com algumas provocações, para conseguir a luta. Garantia que o filho venceria o baiano até com certa facilidade. Acabou pagando os custos do combate e um mico gigante. Acelino não só bateu em Michael, como tinha um motivo maior do que simplesmente vencer sua luta de despedida: seu filho, Popozinho, de 6 anos, havia pedido para vê-lo lutar.
Enquanto Carlos fez o que nenhum pai em sã consciência faria, colocando seu filho em uma situação de perigo fazendo com que lutasse contra um oponente obviamente mais qualificado no ringue, Popó mostrou do que é capaz um pai para satisfazer o desejo de um filho, colocando um sorriso em seu rosto, ao aceitar o combate, mesmo aposentado e fora da forma ideal, para que Popozinho pudesse finalmente vê-lo soltar seus golpes ao vivo. O abraço dos dois logo após a luta foi simplesmente emocionante!
