
Pietro é um dos poucos praticantes do longline em JF
Equilíbrio, força, concentração. Poucas atividades parecem demandar tanto do corpo e da mente de um atleta quanto o slackline, um esporte no qual o praticante anda sobre uma fita esticada entre dois pontos fixos. Em Juiz de Fora, o local preferido dos slackliners é o Campus da UFJF, onde as cordas são ancoradas nas árvores de um pequeno bosque. Mas o espaço vem sendo tomado por fitas cada vez mais compridas, em uma variação do slackline conhecida como longline. A diferença é justamente a distância, que, no caso do longline, é superior a 30m entre os dois pontos de ancoragem. Por aqui, quem domina essa modalidade é um ubaense de 27 anos. Pietro Barreto é um dos únicos praticantes em Juiz de Fora a completar a travessia de 100m.
A dificuldade é tanta que não há competição de longline. O desafio é bater seus próprios limites e conseguir atravessar as mais longas fitas, que têm apenas 2,5cm de largura, metade da usada no slackline tradicional. A corda é ancorada, em média, a 3m de altura. E, em um incrível jogo de equilíbrio, ela parece sempre querer derrubar quem a desafia. “É a sua mente que para a fita. Se você está concentrado, consegue dominar o balanço e caminhar suavemente. Esse medo de cair precisa estar controlado o tempo inteiro”, diz Pietro, que sempre recorre à música para buscar a concentração ideal.
E se ela é fundamental para domar a fita, o preparo físico ajuda a se manter sobre ela. Os músculos da região lombar e dos braços são os mais exigidos, sem contar os das pernas, que precisam sempre buscar o encaixe perfeito. A montagem dos equipamentos do longline também exige preparo e leva mais tempo do que a própria travessia. A ancoragem nas árvores necessita de pelo menos três pessoas, para que a fita fique bem esticada. Os tombos são inevitáveis. “Com o tempo você aprende a cair”, assegura Pietro, com a experiência de quem já rompeu os ligamentos do joelho após uma queda no slackline.
Hobby e sustento
Formado em publicidade, proprietário de um dos maiores sites de venda de produtos da modalidade, o Universo Slackline, e editor de uma revista com o mesmo nome, Pietro pratica o esporte há quatro anos e meio. Começou por brincadeira e logo se interessou pelo trickline, variação na qual os praticantes fazem acrobacias. Nesse tempo, praticou ainda o waterline, sobre a água, e o highline, o mais ousado e que leva o slackliner a realizar a travessia a dezenas ou centenas de metros de altura do chão. Neste caso, exigem-se mais equipamentos de segurança. Uma meia dúzia de loucos pelo mundo é adepta ainda do free solo, highline sem o uso de cordas de segurança.
Em pouco tempo, Pietro fez de seu hobby um estilo de vida e de sustento. “O mercado de slackline vem crescendo muito, principalmente a partir de 2011. A cada dia temos novos praticantes. E os produtos são procurados não só pelos iniciantes, mas também por quem já pratica e quer tentar outras variações, como o trickline e o longline.”
Milenar
O slackline deriva de uma prática milenar, o equilibrismo. Como modalidade esportiva, ganhou os primeiros adeptos nos anos 1980, nos campos de escalada, no estado norte-americano da Califórnia. No Brasil, ganha cada vez mais popularidade e se torna conhecido principalmente devido aos personagens interpretados pelos atores Marcello Melo e Chay Suede, que praticam o slackline na novela “Babilônia”, da TV Globo.

