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Os caminhos que levam os juiz-foranos aos Jogos Olímpicos de Tóquio

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Após campanhas expressivas nos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de Lima em 2019, com 16 medalhas conquistadas, os atletas juiz-foranos já fazem as contas para ir às Olimpíadas de Tóquio 2020. Em geral, o desafio é alcançar índices que ainda serão estipulados pelas confederações internacionais de cada esporte. No entanto, conseguir vaga em elenco estrelado, esperar por combinação de resultados e disputar etapas internacionais são alguns dos desafios que serão enfrentados ao longo do ano olímpico para compor a delegação brasileira que desfilará no Estádio Olímpico de Tóquio, palco da abertura dos Jogos, no dia 24 de julho. Confira as possibilidades e perspectivas de alguns nomes do esporte de Juiz de Fora.

Natação

Foto: Satiro Sodre/CBDA

Das medalhas conquistadas por esportistas com trajetória em Juiz de Fora em Lima, 12 emergiram das piscinas. Larissa Oliveira, com sete medalhas no Pan, e Gabriel Geraldo, com cinco no Parapan, fizeram história em terras peruanas, mas ainda não têm vagas asseguradas nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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Recordista entre as nadadoras brasileiras no Pan, Larissa tentará a classificação para o Japão por meio do Troféu Maria Lenk, que deverá acontecer em abril de 2020. A Federação Internacional de Natação define os índices que deverão ser alcançados pelos atletas na seletiva brasileira. “Eu já fiz o índice dos 100m livre, e, nos 200m livre, preciso melhorar 10 centésimos. A natação é um esporte muito imprevisível, mas, embora não tenha nadado nesses tempos no Pan, o ideal é buscá-los nas minhas competições até o final do ano”, afirma Larissa, que participou dos Jogos do Rio em 2016.
No Parapan de 2016, Gabriel Geraldo tinha apenas 14 anos e nem praticava a natação no Clube Bom Pastor. Agora, a agremiação traça planos ousados para o futuro do jovem atleta, incluindo a disputa dos Jogos Paralímpicos no extremo oposto do planeta. “O Gabriel veio coroar esse trabalho se colocando em um patamar que a gente até não esperava tanto, mas aconteceu. E é nessa toada que vamos buscar objetivos maiores”, disse o diretor de esportes aquáticos do Bom Pastor, Paulo Sérgio Costa.

Para conseguir a classificação, o atleta também deverá atingir índices que serão estipulados pela Federação Internacional. A entidade também define o prazo em que os tempos precisam ser alcançados em competições oficiais.

Handebol

Foto: Leonardo Costa

Thiagus Petrus é capitão da equipe nacional de handebol, nona colocada no último Mundial. O time precisa de uma complexa reviravolta para estar no Pré-Olímpico, dependendo de outras oito seleções. A situação delicada do Brasil se dá após perder chance de classificação na Copa do Mundo de Handebol de 2019, a qual oferecia uma vaga direta em Tóquio, para o vencedor, e outras seis na seletiva, para quem finalizasse entre a segunda e a sétima posições – a Seleção Brasileira ficou em nono lugar.

A classificação do Brasil para o Pré-Olímpico passa diretamente pelos resultados da Copa da África e do Campeonato Europeu: a Seleção Egípcia precisa vencer na África; e o Campeonato Europeu deverá ser vencido por uma das equipes europeias que finalizaram a Copa do Mundo à frente do Brasil: Noruega, França, Alemanha, Suécia, Croácia ou Espanha. Se a Dinamarca, campeã mundial e com vaga já assegurada em Tóquio, vencer o certame continental, basta uma das equipes citadas anteriormente ficar na segunda colocação. No Pré-Olímpico, são três grupos de quatro seleções, e os dois primeiros avançam para as Olimpíadas.

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“É uma coisa que aconteceu pelo campeonato abaixo do esperado que a gente realizou (no Pan-Americano), e agora não tem mais o que fazer. É continuar treinando para, caso a oportunidade chegue, a gente estar estar preparado”, projetou Thiagus que, aos 30 anos, não descarta a chance de disputar os Jogos Olímpicos de 2024. “Não sei como vou estar fisicamente, se cansado ou com lesões, mas acredito que até em 2024 estarei jogando em bom nível. Se até lá o técnico que estiver na Seleção achar que eu tenho condição de ajudar, eu vou continuar fazendo parte, sem dúvida nenhuma.”

Vôlei

Foto: Divulgação

No vôlei, o Brasil está garantido em Tóquio após a boa campanha no Pré-Olímpico deste ano. Dessa forma, para representar Juiz de Fora do outro lado do globo, o oposto Felipe Roque tem a missão de conquistar vaga no elenco tupiniquim, que conta com estrelas como o também oposto Wallace de Souza, melhor da posição nas Olimpíadas de 2016.

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“Particularmente, eu gosto dessa disputa por vagas. Isso nos força a evoluir diariamente e dar 110% nos treinos! Sei que tenho muito a evoluir, e me mantendo focado e aproveitando as oportunidades nas convocações, vou me tornar cada vez mais completo”, analisa Roque, formado na base do Bom Pastor/JF Vôlei e atualmente jogador do Fiat/Minas Tênis Clube. Para conquistar a confiança do treinador Renan Dal Zotto, o juiz-forano esteve nas convocatórias da Seleção para o Campeonato Sul-Americano e para a Copa do Mundo de vôlei masculino, ambos vencidos pelo selecionado tupiniquim entre setembro e outubro últimos.

Tênis de Mesa

Foto: Fernando Priamo

Para o veterano Alexandre Ank, a classificação para as Paralimpíadas esbarram em um fator além dos pontos necessários para ficar entre os primeiros do ranking. Após perder a oportunidade de conquistar a vaga para Tóquio no Parapan-Americano de Lima – o juiz-forano foi bronze, mas precisava do ouro -, as etapas internacionais serão determinantes para alcançar o índice definido pela Federação Internacional de Tênis de Mesa. É na participação nessas etapas que surge o obstáculo principal: o financeiro.

São seis etapas, em países diferentes, consideradas pela Federação Internacional: Argentina, China, Costa Rica, Chile, Espanha e Itália. Para cobrir os custos, é necessário de R$ 3 mil a R$ 5 mil para cada competição, de acordo com Ank e, para chegar a esse valor, o auxílio do poder público atual não é suficiente. “Em 2008, eu fiz seis etapas internacionais, consegui ficar entre os 30 melhores do mundo e fiz o índice. A gente teve um apoio que não tem hoje, que é o apoio do município e do estado. Hoje, eu tenho alguns patrocinadores que estão me mantendo como atleta. Mas, para classificar para as Olimpíadas e fazer as etapas, eu vou precisar de mais recurso”, explica.

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Boxe

Foto: Jonne Roriz/COB

O ouro, inédito entre as pugilistas brasileiras, no Pan-Americano de Lima deste ano – que, por si só, já é excepcional – não foi a única conquista da baiana radicada em Juiz de Fora Beatriz Ferreira. Após o torneio no Peru, ainda houve tempo para ser campeã no Campeonato Mundial de Boxe disputado em Ulan-Ude, na Rússia, e ser eleita a melhor atleta da competição entre todas as 226 boxeadoras de 56 países diferentes presentes no evento.

O torneio no Leste Europeu, porém, não é classificatório para Tóquio 2020. Para carimbar passagem para o Japão, Beatriz terá pré-olímpicos entre fevereiro e abril próximos, em etapas que acontecerão na China, Senegal, Argentina e Grã-Bretanha. O Campeonato Mundial de Paris, na França, que acontece em maio, será a última competição classificatória para os Jogos Olímpicos.

Para a atleta, as boas participações nas últimas empreitadas a deixam mais visada em relação às demais boxeadoras. “A responsabilidade cresce, porque eu fiquei mais conhecida, então aumenta o respeito, e as adversárias vão me conhecer, vão querer criar estratégias. Mas isso quer dizer que eu tenho que treinar mais, que estou no caminho certo e não é impossível disputar os Jogos Olímpicos.”

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Atletismo

Foto: Leonardo Costa

No lançamento de dardo, o jovem Luiz Maurício, atleta treinado na UFJF, de 19 anos, não tem os Jogos Olímpicos de 2020 no radar. Com ascensão meteórica entre 2018 e 2019, o juiz-forano tem como recorde em competições oficiais a marca de 74,32 metros. Luiz precisaria alcançar 83 metros para conquistar vaga no Japão, o que é tido como improvável neste momento. “O índice de 83 metros é um pouco longe e difícil de buscar em um ano. O objetivo para 2020 seria chegar na casa dos 80 metros, inicialmente”, admite. A Olimpíada de Paris, em 2024, é um horizonte mais factível para o jovem atleta.

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