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Na orelha da bola

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Copinha, Zhi-Zhao e São Marcos

Ouvi muita piadinha enquanto os colegas iam saindo da redação e eu aguardava o fim do jogo entre os juniores de Flamengo e (heim?!) Aquidauanense. Mas estava com tanta saudade de futebol que nem dei trela. Com 30 minutos de jogo, eu sentia uma das piores sensações que um homem pode experimentar: pena de si mesmo. Joguinho ruim dos infernos! Saí do trabalho lá pelas onze e meia certo de que a Copa São Paulo de Juniores é muito boa para revelar jogador para empresários (e, de quando em vez, até mesmo para os clubes formadores), mas como experiência esportiva para o público espectador… deus me livre. É 0 a 0 doloroso, arbitragem ruim, goleada de 10 a 0… Vou continuar acompanhando assim mesmo, e espero que a coisa melhore ao longo do torneio.

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E o quê que foi esse negócio de o Corinthians contratar jogador chinês? Pelamordedeus, nada contra nosso irmãos orientais, mas um time que tem Liedson, Willian, Elton, Emerson Sheik, Adriano (tem?), Alex… vai achar lugar pro moço onde? Não vai jogar nem coletivo! Pessoalmente, não acredito que Chen Zhi-Zhao vá ser que nem o coreano Park Ji-sung, que chegou ao Manchester United e tomou conta do meio de campo. É um tiro pela culatra clássico: não vai funcionar em campo, nem tampouco como jogada de marketing. A não ser que as piadas na internet e nos botecos contem como feedback.

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Eu posso imaginar a cena: o camarada sentado à beira do rio, um metro e noventa e três de homem curvado sobre uma lata de iscas entre as pernas, espetando uma minhoca puladeira na ponta do anzol. A cabeça calva está coberta por um chapéu de lona, e os dentes mordem um cigarro de palha que ele acende vez ou outra para espantar os pernilongos. E enfim lança o anzol no rio, acomoda-se na grama da margem e dá umas baforadas no fumo forte, sem nenhuma preocupação senão a de não cochilar até que o primeiro peixe morda a isca. Tenha uma boa aposentadoria, São Marcos. Sempre vai fazer falta um ídolo que fale o que lhe vem à pouca telha.

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