
O lutador juiz-forano Ricardo Dekker sobe ao ringue neste domingo (7) para enfrentar o paulista Vitor Coringa, em Belo Horizonte, a partir das 20h. O combate será pela categoria até 67 kg, no evento STR Fight. O confronto marcará o retorno do atleta ao ringue depois de um nocaute brutal em uma luta em Porto Alegre (RS).
A luta será a principal do card da STR Fight, em Belo Horizonte, e, embora não valha título ou torneio, é vista por Dekker como estratégica para a sequência da carreira.
“É uma luta para manter a rodagem, manter o ritmo de luta. Por mais que eu esteja treinando, tudo em cima do ringue é um pouco diferente, tanto os golpes que você aplica quanto os que recebe. Então é sempre bom estar ativo, participando de campeonatos, para não perder esse ritmo”, explica o lutador mineiro.
O evento terá transmissão apenas por pay-per-view, por meio de um link de acesso vendido pela organização e divulgado nas redes sociais do atleta. Não haverá exibição em canais abertos.
Dekker destaca ainda que, por se tratar de uma luta casada definida com antecedência, a preparação foi mais longa e específica. Do outro lado do ringue estará Vitor Coringa, atleta paulista radicado em Belo Horizonte. “Ele é um dos melhores da categoria aqui em Minas. Eu também venho em uma boa fase no cenário mineiro, então acho que essa luta vai ser importante para saber quem consegue chegar mais alto”, avalia.
Para o juiz-forano, o duelo pode abrir portas em 2026: “Pegaram dois atletas que estão em uma fase muito boa. Acredito que quem sair vitorioso dessa luta vai receber muitas oportunidades em 2026. Não quer dizer que quem perder vai deixar de ter, mas a vitória representa um passo muito grande na carreira de quem conseguir esse resultado”, projeta.
Juiz-forano vem de vitória por nocaute
Dekker vem em uma crescente na carreira. No dia 15 de novembro, ele subiu ao ringue em Porto Alegre (RS) e venceu com um nocaute avassalador o lutador Miguel Scanzerla, em confronto válido pela 9ª edição do Open Iron. Foi a sua sétima vitória como profissional – ele soma oito lutas, com sete triunfos, todos por nocaute, no muay thai e no kickboxing, modalidades em que atua desde 2019, quando começou na academia Shakuri.
A participação no GP, porém, não estava nos planos. O torneio já estava definido meses antes e o nome de Dekker não constava na chave. Cerca de 20 dias antes do evento, um dos atletas se machucou e a organização passou a buscar um substituto. O juiz-forano acabou sendo indicado por outros produtores de eventos e, após ter o perfil analisado nas redes sociais, foi convidado para integrar a competição.
Com pouco tempo para se organizar, o lutador relata que enfrentou dificuldades para custear a viagem até o Rio Grande do Sul. Ele precisou conciliar passagem de ônibus até Belo Horizonte, voo para Porto Alegre e demais despesas. “Foi muito difícil, porque aqui na cidade, e no Brasil de forma geral, não tem essa cultura tão forte de patrocínio, de apoio ao esporte. Então tive que me virar para conseguir o dinheiro, contei com a ajuda de algumas pessoas, mas, como foi tudo muito em cima da hora, foi bem difícil. No fim, acabou dando tudo certo.”
No GP, o adversário era considerado um dos principais nomes da categoria até 67 kg no Rio Grande do Sul. De acordo com o juiz-forano, o rival figurava entre os cinco melhores da divisão e aparecia como um dos favoritos ao título. Já Dekker chegava visto como azarão, pouco conhecido pelo público e por treinadores e produtores locais.
Ele conta que não conhecia o adversário antes da luta. Segundo Dekker, o rival é considerado um dos melhores da categoria até 67 kg no Rio Grande do Sul e aparecia como um dos principais favoritos ao título do GP. Em um ranking elaborado por treinadores, produtores de eventos e comunicadores locais, o juiz-forano figurava apenas em oitavo lugar, como azarão da chave. “Comecei a estudar ele assim que casaram a luta, consegui impor meu jogo desde o primeiro round e, no segundo, entrou a cotovelada que definiu o combate.”
A vitória veio com uma cotovelada giratória, golpe que começa a se consolidar como sua marca registrada. Ele destaca que já é a segunda vez que define uma luta profissional com esse recurso e que a técnica tem repercutido entre fãs e colegas de academia. Dekker explica que o movimento envolve uma rotação completa do tronco e pode surpreender o adversário pela dificuldade de leitura do golpe.
Projetando os próximos passos, Dekker afirma ter dois objetivos bem definidos: lutar no Attack Fight, considerado por ele o maior evento de muay thai da América Latina, e no WGP, principal organização de kickboxing do continente. Os dois campeonatos contam com transmissão em canal esportivo por assinatura e, segundo o juiz-forano, podem representar um importante salto de visibilidade na carreira.

