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Professor da UFSJ investiga como a imprensa ajudou a moldar a imagem da Seleção Brasileira

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O futebol brasileiro, historicamente visto como expressão da identidade nacional, é foco de análise no livro “Maracanazo e Mineiratzen – Imprensa e representação da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo”, de Chico Brinati, jornalista e professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A obra investiga a cobertura da Seleção Brasileira nos Mundiais de 1950 e 2014, ambos sediados pelo Brasil e marcados por derrotas em casa.

O estudo busca entender como a imprensa contribuiu para a construção da imagem da equipe e como essa representação influenciou o sentimento de pertencimento do torcedor. Para isso, Brinati analisa textos dos jornais impressos “O Globo” e “Folha de S.Paulo” na cobertura das duas Copas, observando a relação simbólica entre o conceito de nação e o desempenho da Seleção.

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A escolha dos Mundiais de 1950 e 2014 está ligada ao impacto das duas derrotas no imaginário brasileiro.

A Copa do Mundo e as nuances que envolvem essa relação dos torcedores em torno da competição me marcaram desde a infância. Sempre esteve ali, como um objeto de interesse, mas não imaginava que viraria uma pesquisa”, afirma Brinati à Tribuna de Minas.

(Foto: Arquivo pessoal)

Segundo o autor, em 1950, a derrota conhecida como Maracanazo foi narrada pelos jornais com tristeza e dor, mas também com exaltação do país por meio do futebol e da importância do esporte para o Brasil. Naquele contexto, a Seleção era representada como paradigma de um novo futebol, mais técnico em relação às Copas disputadas anteriormente.

Já em 2014, conforme Brinati, a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, chamada de Mineiratzen, foi tratada como humilhação. A eliminação, segundo ele, não despertou a mesma dor simbólica de 1950 porque a relação entre torcedor e Seleção já passava por mudanças. “A Seleção seria ‘apenas’ uma equipe de futebol, não mais um representante de cada brasileiro”, avalia.

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O professor também aponta que, em 2014, a derrota foi retratada no campo do humor e do deboche, o que teria ampliado o distanciamento entre torcedores e atletas. Para ele, o Mineiratzen marcou ainda a percepção de perda da essência do jogo brasileiro, limitando a identificação da torcida com a equipe.

Identificação entre Seleção Brasileira e torcida

Diferença da abordagem nas derrotas do Brasil em 1950 e 2014 foi um dos assuntos abordados por Chico no livro (Foto: Arquivo pessoal)

A pesquisa destaca que a relação entre torcedor e Seleção Brasileira mudou ao longo das décadas. Entre os fatores citados por Brinati estão a globalização, a ampliação do acesso a campeonatos estrangeiros, a saída cada vez mais precoce de jogadores brasileiros para clubes de fora do país, as mudanças na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a realização de partidas da Seleção em outros continentes.

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Hoje, há algumas iniciativas para tentar a reaproximação, como a despedida em jogo no Maracanã antes da viagem à Copa, mas ainda é um caminho longo para retomar a identificação”, afirma o autor.

Para Brinati, a Seleção Brasileira deixou de funcionar como símbolo único de união nacional e passou a ocupar um espaço de disputa em meio à polarização política. Ele avalia que símbolos associados à equipe, como a camisa amarela, foram apropriados por grupos políticos de extrema direita, o que contribuiu para a dissolução da relação de pertencimento de parte da população com a Seleção.

Relação com a derrota

O livro também aborda como derrotas históricas revelam a forma como o país lida com frustrações esportivas. Segundo Chico, os jornais apontam um padrão que envolve lamento, frustração, busca por culpados e a ideia de atraso em relação a outros países, sem necessariamente reconhecer a superioridade esportiva do adversário.

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A mídia é parte fundamental da elaboração da percepção cultural de nosso tempo. Por meio dela que constituímos nossas referências, influenciamos nossas essências, adotamos maneiras de lidar com o outro”, frisa o professor.

Na conclusão do estudo, Brinati aponta que, durante décadas, os meios de comunicação ajudaram a construir um sentimento nacional que tinha na Seleção Brasileira um de seus principais instrumentos de unificação. Hoje, com a pulverização das informações e a força das redes sociais, esse vínculo se tornou mais fragmentado.

Ainda assim, o autor considera que uma conquista esportiva relevante, como o Hexa, poderia reconfigurar a relação entre a Seleção e o torcedor brasileiro.

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Se a vitória no campo esportivo vier, há uma convergência de narrativas positivas que podem, sim, reconfigurar a relação da Seleção com o brasileiro”, finaliza.

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