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JF fica mais longe de Londres

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Se o final de 2011 foi de comemoração para três juiz-foranos que vivem e treinam na cidade, e sonham em ir à Olimpíadas deste ano, o início de 2012 não se mostrou animador. Por conta da decisão de uma confederação nacional e da falta de apoio financeiro, os ciclistas Thiago Aroeira e Roberta Stopa, além de mesatenista paralímpico Alexandre Ank, veem o projeto de ir aos Jogos de Londres naufragar.

Agora, as maiores esperanças de Juiz de Fora ter representantes nesta Olimpíada, que começa em 27 de julho, estão depositadas em dois atletas que seguiram suas carreiras esportivas fora da Princesa de Minas. Ainda lutam para garantir vaga em Londres o jogador de handebol Thiagus Petrus e a nadadora Larissa Martins. Curiosamente, ambos fizeram parte dos quadros do Esporte Clube Pinheiros até o fim de 2011, quando ele se transferiu para o clube espanhol PM Balomano Ciudad de Longroño. Ela ainda defende a associação paulista nas piscinas.

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Decisão de cima

Na metade do último mês, a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) definiu qual o critério adotaria para tentar a classificação para as Olimpíadas no mountain bike cross country, e a decisão deixou de fora tanto Roberta Stopa quanto Thiago Aroeira. Se em 2011 os dois comemoravam o bom desempenho na temporada – ele foi o primeiro, e ela, a terceira no ranking da modalidade -, acreditando que, pelo menos, teriam chances de disputar uma vaga nos Jogos de Londres, o que foi decidido pela entidade enterra qualquer possibilidade de ambos competirem na Inglaterra.

Segundo o comunicado da CBC, no masculino, adotou-se o critério de concentrar todos os esforços nos três atletas que atualmente melhor estão classificados no ranking da União Ciclística Internacional (UCI), tendo reais condições de conquistar a pontuação necessária para uma vaga olímpica. Os atletas que integram este projeto são Rubens Donizete Valeriano, Henrique Avancini e Edivando Souza Cruz. Thiago é o quarto brasileiro melhor colocado no ranking mundial.

Na categoria feminina, segundo a CBC, após análise criteriosa, a conclusão foi que não seria possível alcançar a pontuação necessária para a classificação olímpica. De acordo com o comunicado da entidade, as atletas deveriam aumentar o rendimento da pontuação em quase 100% no curto período de quatro meses para que, desta forma, fosse recuperada a grande diferença dos 20 meses de provas classificatórias já ultrapassados.

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Custos

De acordo com o diretor de comunicação da CBC, Wesley Kestrel, a decisão da entidade tem como base os custos de enviar atletas a disputas internacionais, e os juiz-foranos estão mesmo fora dos Jogos. "Fizemos uma esforço financeiro muito grande na classificação do ciclismo de estrada, no qual conseguimos todas as vagas possíveis e, como não temos patrocínio, tivemos que optar pela melhor estratégia em termos financeiros para o momento no mountain bike. São muitas despesas de viagem para mandar um ciclista disputar uma prova fora do país, por isso, houve a decisão de concentrar esforços no masculino. Foram escolhidos os três melhores do ranking da UCI pois somente eles pontuam no ranking de nações (atualmente, o Brasil é o 20º colocado nessa classificação e, para ter uma vaga na Olimpíada, pode ficar até em 24º lugar). Assim, como o Thiago é o quarto brasileiro dessa classificação e não haverá tentativa da vaga no feminino, os dois (Roberta e Aroeira) não poderão ir à Olimpíada."

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Para Thiago, a decisão da entidade revela uma falha organizacional. "Para mim, isso é falta de organização e inabilidade da CBC em formular minimamente um projeto para classificar o país para as Olimpíadas. Eles tiveram 20 meses para isso e não fizeram. Agora, adotam um critério para tentar buscar isso nas últimas competições, e os Jogos ficaram praticamente impossíveis para mim. Não existe milagre, tinha que ter é um projeto a longo prazo", critica o juiz-forano.

Kestrel admite ser necessário um projeto olímpico, mas considera que os próprios bikers também poderiam ter dado uma parcela maior de contribuição. "Diz-se que deveria haver um projeto para classificar para as Olimpíadas. Concordo com isso. Mas, como não houve, tivemos que adotar um critério, uma estratégia, e essa foi a escolhida. Os atletas também tiveram os mesmos 20 meses para melhorar seu desempenho, buscar bons resultados internacionais e uma classificação no ranking da UCI", diz.

Mesmo fora dos Jogos, a dupla de bikers local segue firme na temporada 2011, quem sabe em busca de sensibilizar os dirigentes nacionais."Vou continuar participando das provas do Brasil, inclusive as internacionais, que é o que meu patrocínio permite. Meu trabalho é mostrar que teria nível para estar pelo menos disputando a vaga", diz Aroeira. "Ainda não perdi as esperanças. Vou lutar, bater de frente com a CBC. Só me dou por vencida no dia 23 de maio (data limite para a definição dos representantes do Brasil na modalidade)", garante Roberta.

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Sonho distante

O caso do mesatenista Alexandre Ank é diferente dos ciclista locais, impedidos pela própria confederação de disputarem a vaga olímpica. Mas, nem por isso o problema é de mais simples resolução. Falta dinheiro para o juiz-forano disputar torneios internacionais e melhorar sua classificação no ranking mundial, conseguindo assim um lugar nos Jogos Paralímpicos de Londres, marcados para começar logo após o fim das Olimpíadas, no dia 29 de agosto.

Segundo Ank, a missão de conquistar uma vaga nos Jogos, como ele mesmo fez em 2008, quando disputou a competição em Pequim, na China, não é tão complicada, mas ele precisa ir aos eventos internacionais. "Meus patrocínios me permitem disputar as competições no Brasil, mas, para ir para fora, não dá. Precisaria de uma ajuda extra. Tecnicamente, estou bem, sei que tenho nível para buscar a classificação. Em 2008, consegui chegar às semifinais do US Open, um dos eventos mais difíceis do mundo, e foi lá que garanti um lugar na China. Posso fazer de novo. Para isso, preciso subir algumas posições no ranking mundial da classe 4, no qual estou entre os 40 melhores. Só os 36 primeiros vão aos Jogos", explica.

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Para conseguir o lugar em Pequim em 2008, quando terminou na 16ª posição, Alexandre contou com a ajuda do Executivo municipal. Mas, desta vez, o investimento público ainda não veio. "A Prefeitura bancou as viagens para os torneios internacionais e consegui me classificar na época. Desta vez, não consegui apoio com o município. Precisaria de R$ 18 mil para ir às três etapas que ainda valem pelo ranking internacional nesse semestre. Já perdi duas, uma na Alemanha e outra na Hungria, então, não há muito mais o que descartar se quiser sonhar ainda com os Jogos, hoje, um sonho distante para mim por causa do lado financeiro", diz Ank.

Rio 2016

As dificuldades em levantar apoio em dinheiro já quase fizeram o mesatenista abandonar o esporte, há dois anos. Mas, o coração de atleta falou mais alto. Agora, mesmo que não vá às Olimpíadas de Londres, Ank não pensa em parar mais. "Mesmo que não consiga agora o apoio, vou seguir treinando. Tenho alunos que dependem e se espelham em mim. Outra motivação é o projeto que tenho, em parceria com a AABB, em fase de aprovação na Lei Federal de Incentivo ao Esporte. Através dele, iremos captar recursos, e o objetivo é garantir a participação também em disputas internacionais fortes, buscando uma vaga nos Jogos de 2016. Se mantiver o nível que venho mantendo, liderando o ranking de minha classe como nos últimos anos, certamente terei um lugar. Aí, o objetivo será uma medalha", projeta.

 

Falta planejamento e falta dinheiro

 A situação de quem está fora da cidade, contando com uma estrutura profissional e apoio incondicional tanto do clube quanto de suas federações, é um pouco mais tranquila. Mas, isso não quer dizer que o armador esquerdo Thiagus Petrus e a nadadora Larissa Martins terão vida fácil.

Ela depende somente de seu desempenho pessoal e tem mais duas chances de conquistar o índice para poder cair nas piscinas de Londres no meio do ano. Trabalhando para conseguir a marca no Troféu Maria Lenk, em abril, ou na Tentativa Olímpica, em maio, ambas no Rio de Janeiro, Larissa tenta melhorar seus tempos em duas provas. "O índice nos 100m livre é 54s57, eu já nadei 55s02. Nos 200m livre, é de 1min58s20 e meu melhor tempo gira em torno dos 2min. Então, impossível não é. É muito difícil, mas estou em ritmo forte de treinamento para buscar esses índices", explica.

Convocado

Petrus terá que conquistar uma vaga com a Seleção Brasileira no Pré-Olímpico Mundial, na Suécia, em abril. Um dos jogadores medalha de prata no Pan-Americano de Guadalajara, no ano passado, o juiz-forano é um dos três jogadores da lista do técnico espanhol Javier Garcia Cuesta que não terão que passar pelo período brasileiro de trabalhos antes da competição.

O treinador convocou 17 nomes que se reúnem hoje e começam a treinar amanhã em Maringá, no Paraná. Deles, 13 embarcam para a Tunísia, na África, onde se reúnem com Petrus e outros dois atletas que jogam na Espanha para a fase final de treinos do Brasil visando a disputa de um lugar em Londres 2012. Se o handebol nacional garantir a ida à Inglaterra, o juiz-forano tem tudo para ser um dos convocados para a Olimpíada.

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