Jogar em um dos gigantes do Brasil e acumular quatro convocações para a Seleção de base com 17 anos, recém-completados na última terça-feira (3). Sonho distante para a maioria dos garotos, mas só os passos iniciais para o juiz-forano Gustavo de Oliveira. Ex-morador do Bairro Progresso, Zona Leste, o atleta se destacou com a bola no pé, ainda criança, no Colégio Academia e no Sport Club, até conseguir uma oportunidade no Fluminense, aos 12 anos, onde atua até hoje e já assinou contrato profissional. De férias em Juiz de Fora, Gustavão, como é conhecido, concedeu entrevista à Tribuna, realizada na sua escola de infância, onde pôde relembrar sua trajetória e detalhar as metas para este ano.
Educação, formação e títulos
O início da vida esportiva de Gustavão foi nas quadras do Colégio Academia, com apenas cinco anos. “Eu via meu irmão (Gabriel de Oliveira, que passou pelo sub-20 do Tupi em 2019) jogar e me interessei muito. Comecei na escola, com os professores Marcelo Pullig e Claudius Alexandre. Lembro bem dos treinos aqui, que foram muito importantes por ser meu primeiro contato com o futebol. A Academia me ajudou a ser uma pessoa melhor também em termos de educação e formação como ser humano”, afirma.
Como é recorrente na história de atletas juiz-foranos que atuam em grandes clubes, casos dos meias Gustavinho, hoje no Grêmio, e de Max, ex-Flamengo, o atacante do Fluminense também começou a se destacar logo cedo no esporte local. “Com sete anos, fui para o Sport jogar futsal e society. Tive a oportunidade de ser treinado por Gerson, Diego, Digão, Ramon, Rodrigo, nomes conhecidos na cidade. Aos nove, comecei a jogar futebol de campo lá. Tenho muito carinho pelo Sport, ainda mais porque conquistei muitos títulos”, relembra Gustavão. “Já com dez, fiz uma peneira do Fluminense aqui em Juiz de Fora. Meu pai levou meu irmão para fazer, e de última hora eu decidi ir também. Acabou que passei e fui fazer teste em Xerém”, conta.
De perder a chuteira à Seleção Brasileira
Após ser aprovado na seletiva do Tricolor Carioca e convidado para fazer teste no Rio de Janeiro, Gustavo passou por um momento de aflição. “Lá no Fluminense, eram três dias de teste. Eu fui bem nos dois primeiros, mas perdi a chuteira no terceiro e não treinei. Fiquei com medo, mas o captador ligou para meu pai e falou que eu estava aprovado”, ri o garoto. “Mas como tinha dez anos ainda, continuei morando em Juiz de Fora, indo e voltando para o Rio de Janeiro, onde treinava duas vezes na semana. Joguei pelo futsal do São Bernardo nesse meio-tempo, com o Renatinho (treinador). Ganhei todos os títulos de Juiz de Fora lá, assim como havia sido no Sport”, rememora o jogador
Com 13 anos, o garoto se mudou para o Rio de Janeiro para jogar exclusivamente pelo Fluminense. Além do sub-13, passou pelo sub-15 e agora integra o sub-17. “Até hoje, ganhei dois cariocas, Torneio Conmebol, Sul-Americano. Fui campeão também de um torneio na Europa”, declara o juiz-forano.
Já com 15, Gustavo realizou o objetivo não só seu, mas de todas as crianças que um dia sonham – e ousam – em tentar se tornar um jogador profissional de futebol.
“Quando fui convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez, eu estava em casa, jogando videogame. Já sabia que teria a convocação, mas não sabia se seria chamado. Estava muito ansioso. Meus amigos do Fluminense me ligaram falando que vários de nós tínhamos sido convocados”, relembra. “Comecei a gritar, chamar minha mãe e meu pai. Eles ficaram muito felizes, e meu irmão também, me ligou na hora. Foi um sonho realizado, é vontade de qualquer um. Uma estrutura completamente diferente, muito qualificada. Fiquei até meio deslumbrado, é o que eu sempre quis ter”, vibra o atleta, que já acumula quatro convocações, duas no sub-15 e duas no sub-17. “Joguei o torneio Uefa e vários amistosos, quando pude fazer dois gols”, comemora.
O destaque gerou, ainda, a assinatura do primeiro contrato profissional de sua carreira. O jovem possui vínculo com o Fluminense até o final de 2026.
Carinho em JF e foco em 2023
Antes de retornar aos treinos, Gustavo está de férias em Juiz de Fora e recebe o carinho dos conterrâneos ao mesmo tempo em que cuida do aspecto físico. “Minha família é daqui, vivi muitas experiências boas, minha infância toda. É muito gratificante que algumas pessoas param para tirar foto comigo, me reconhecem. Faço minha preparação quando estou aqui também, com o Rodrigo e o Lucão (educadores físicos). Aproveito para treinar e estar bem, além de ficar com minha família”, afirma.
Em 2023, a equipe sub-17 do Fluminense irá disputar, inicialmente, o Campeonato Carioca e o Brasileiro da categoria. O foco de Gustavo é ser campeão nacional, além de fazer muitos gols. “Quem sabe também ingressar no futebol profissional, já que o Fluminense aproveita muito a base. E claro, estar na Seleção, é sempre um prazer”, visa o juiz-forano, que tem como ídolo Cristiano Ronaldo “pelo seu poder de decisão”.

