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Cinco garotos da base vivem o sonho de vestir a camisa do JF Vôlei no profissional

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André Silva conta com cinco garotos da base no elenco profissional do JF Vôlei (Foto: Leonardo Costa)
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O sonho de todo garoto que começa no voleibol é um dia vestir a camisa de um time profissional. Para cinco atletas do JF Vôlei, esse momento chegou ainda na adolescência. Victor Hugo, Pedro Silveira, Pedro Henrique, Bernardo Amorim e Theo Gonçalves, todos formados na base do clube, fazem parte do dia a dia do elenco adulto que irá disputar a Superliga B — competição em que o JF Vôlei foi finalista há dois anos e campeão em 2017.

A possibilidade de atletas da base comporem um elenco profissional é rara no voleibol brasileiro, como reconhece o técnico da base, Marcos Vinícius Lopes. Para ele, a oportunidade funciona como combustível para toda a categoria.

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“São meninos com muito potencial, treinam muito bem, são muito focados e determinados. Eles estavam se destacando justamente na categoria deles e tiveram essa oportunidade”, avalia Marcos Vinícius.

A base do JF Vôlei masculino vive, de fato, um momento de resultados. Em agosto, a equipe sub-16 do clube conquistou o bronze no Campeonato Brasileiro Interclubes (CBI), sob o comando do técnico André Silva. Os atletas foram homenageados pelo clube na estreia do time profissional no Campeonato Mineiro, no início de setembro.

O projeto também mantém presença nos CBIs das categorias sub-16 e sub-17 neste ano, e em 2025 chegou a levar seis equipes — quatro masculinas e duas femininas — a competições estaduais. O trabalho de formação já projeta nomes para fora: no início do ano, o ponteiro Gabriel Silva, de 14 anos, e o central Murilo Amaral, de 15, deixaram a base juiz-forana rumo às categorias de base do Sada Cruzeiro, depois de se destacarem em competições contra o próprio clube celeste.

A Superliga B desta temporada, que começa em novembro, reúne 14 equipes masculinas em busca de duas vagas de acesso à elite — e o JF Vôlei chega como um dos favoritos ao objetivo. O clube disputou a Superliga A na temporada 2025/2026, terminou na última colocação e foi rebaixado.

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Agora, para a volta à segunda divisão, o elenco foi montado com uma parceria inédita com o Sada Cruzeiro: oito jovens atletas formados na base celeste chegaram por empréstimo, com os salários pagos pelo clube de Belo Horizonte, somados a contratações e aos atletas da própria base do JF Vôlei — grupo do qual os cinco garotos desta reportagem fazem parte. Na última edição da Superliga B, em abril, o JF Vôlei chegou à fase final e viu o Monte Carmelo levar a melhor.

Victor Hugo, o central de 1,99m de Bom Jardim de Minas

Victor Hugo 1,99m, central (Foto: Leonardo Costa)

Aos 16 anos, o central Victor Hugo é um dos mais jovens do grupo. Nascido em Barbacena e criado em Bom Jardim de Minas, ele chegou ao JF Vôlei em 2023, depois de um campeonato regional em Juiz de Fora que chamou a atenção do técnico André Silva. O convite para o vôlei, porém, veio antes, de um amigo de infância.

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O sonho de chegar ao profissional, ele carrega desde a chegada ao clube, aos 13 anos. “Sempre imaginei chegando, sempre foi meu sonho. Mas sabia que com 13 anos era difícil, e tudo tem o seu tempo. E agora o que mais eu devo fazer é aproveitar quando o tempo chegou, começar agora”, relata.

Sobre o clube, a definição passa pela confiança. “Eu sinto um lugar muito de confiança, onde tem pessoas que a gente pode confiar, ninguém tenta iludir ninguém. Acho que o mais que eu sinto mesmo é gratidão”, revela.

Treinar ao lado de jogadores campeões da Superliga, como Nathan e Mococa, é uma experiência que ele define como incrível. “Eles têm uma bagagem maior, principalmente o Nathan, que é um cara mais falante dentro de quadra, mais líder. Todos eles são ótimos de grupo, me tratam super bem, cobram na hora que têm que cobrar”, destaca.

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A relação com o técnico André Silva, que o convidou para a base e hoje o integra ao elenco adulto, vem de antes. “Na base, a gente trabalhou um ano junto no meu sub-15. E ano passado, eu já vinha às vezes completando alguns treinos no time da Superliga A, e esse ano surgiu de completar mesmo na Superliga B”, conta.

Fora do clube, a referência é Lucão, com quem já conversou pessoalmente. “Na estreia do Campeonato Mineiro aqui, eu pude cumprimentá-lo, falar com ele. A gente pergunta como que faz para estar lá onde ele está e ser campeão olímpico”, conta. O objetivo de carreira, aliás, é ambicioso. “Bicampeão olímpico. Essa é a meta”, arremata.

Pedro Silveira, o líbero que trocou o Rio por Juiz de Fora

Pedro Silveira, 1,80m, líbero (Foto: Leonardo Costa)

Aos 18 anos, o líbero Pedro Silveira fez uma escolha corajosa: saiu do Rio de Janeiro — onde passou por Flamengo e Tijuca — para tentar uma vaga no JF Vôlei. Veio com o pai, mora no Alto dos Passos e já se sente em casa.

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O contato com os líberos experientes do elenco, como Matoca, tem sido fundamental. “Eles sempre me dão dicas do que eu posso fazer para melhorar. Na reação dele, ele vai muito rápido com a bola”, observa o jovem, que aponta Serginho, o “Escadinha”, como inspiração nacional.

A evolução, ele mesmo identifica, foi na defesa. Fora da quadra, o líbero mantém os estudos como plano paralelo. “Estou fazendo fisioterapia. Caso o vôlei não dê certo, tenho uma formação”, pondera.

Sobre a temporada, o discurso é de confiança. “Espero que a gente faça um campeonato muito bom, com regularidade no passe, defesa e ataque. No saque, principalmente. E que a gente consiga uma medalha na Superliga B”, projeta.

Pedro Henrique, o ponteiro de Matias Barbosa que começou em um projeto social

Pedro Henrique, 1,90m, ponteiro (Foto: Leonardo Costa)

O ponteiro Pedro Henrique, 17 anos e 1,90m, nasceu em Juiz de Fora, mas cresceu em Matias Barbosa. Foi em um projeto social da cidade, comandado pelo próprio André Silva, que o vôlei entrou em sua vida — inspiração, curiosamente, veio de animes e das aulas na escola.

“Depois de uns meses, o André me chamou para começar a treinar no JF Vôlei. Meu primeiro time e o único até hoje”, relata.

O ponteiro Nathan é sua referência no elenco. “Ele é um cara muito completo, no ataque, no saque, em tudo. O cara que passa sempre tem time para jogar”, pontua Pedro Henrique, que sonha com a seleção brasileira e uma carreira na Itália.

A rotina é puxada e ele a descreve em detalhes. “Eu acordo, tomo café, vou para a escola. Aí vou para o treino e geralmente chego aqui umas três horas, porque tem academia umas quatro horas. Depois eu venho para o treino da base. Logo em seguida a gente dobra para o treino do adulto, aí eu fico aqui até umas sete horas”, enumera.

A escolha pelo vôlei em detrimento dos estudos, admite, foi consciente. “É complicado conciliar os dois, mas eu prefiro focar no vôlei. Eu quero fazer agronomia, mas se eu conseguir continuar no vôlei, eu não vou para a faculdade”, explica.

O convívio com o elenco adulto, relata, é extremamente próximo. “Eu vejo mais eles do que vejo a minha família. Tenho muita intimidade com todos.”

Bernardo Amorim, o levantador que está desde o início

Bernardo Amorim, 1,80m, levantador (Foto: Leonardo Costa)

Aos 17 anos, o levantador Bernardo Amorim conheceu o vôlei pela mãe, que jogava vôlei de areia em aulas dadas pelo técnico André Silva. Foi em 2022, e a ascensão foi imediata. Um detalhe marca sua trajetória: há pouco tempo, ele pegava bolas como gandula nos jogos do time adulto.

“É muito gratificante saber que eu cheguei, mas tenho que batalhar para poder ficar”, reflete Bernardo.

Ele se inspira no levantador Tarik, juiz-forano que está no clube desde o início do projeto. “É um cara que estou com ele todo dia. É um cara muito tranquilo com as pessoas e tem muita liderança”, enaltece.

A referência máxima, porém, é nacional: “Bruninho. É um cara muito líder também. Desde muito pequeno eu fui capitão”, conta Bernardo, que destaca o bloqueio, a defesa e a velocidade como suas características.

Sobre o peso da oportunidade, é direto. “É um esforço muito grande meu e da minha família toda para me proporcionar estar aqui”, ressalta.

A concorrência na posição, ele encara com naturalidade. “Tenho vontade sim de jogar. Mas sei do que o Tarik e o Arthur são capazes. E se precisar de mim, vou estar lá”, afirma.

O conselho aos mais novos, que estavam onde ele estava há três anos, é de persistência. “Que é para nunca desistir. É sempre dar o seu melhor em cada treino, em cada jogo. Que uma hora eles vão ser recompensados”, finaliza.

Theo Gonçalves, o ponteiro que quer representar a cidade

Theo Gonçalves, 1,86m, ponteiro e oposto (Foto: Leonardo Costa)

Aos 18 anos, Theo Gonçalves está no JF Vôlei há cinco anos — chegou em 2021, quando o projeto tinha apenas sub-17 e sub-19. Nunca tinha jogado vôlei em clube algum antes. Hoje, alterna entre ponteiro e oposto no dia a dia do profissional.

“Sempre foi um sonho me tornar um atleta de alto rendimento. Eu fico muito feliz pela oportunidade que o JF Vôlei me deu de estar integrando a equipe adulta”, celebra Theo.

Juiz-forano, ele valoriza o que o clube representa para a cidade. “Não tem coisa melhor do que ter um time na sua própria cidade, você não precisa sair para poder jogar. Representar a minha cidade é muito bom”, frisa.

Sobre o técnico André Silva, a definição é afetiva: “Ele aqui no vôlei é como se fosse um pai, porque ele me deu a oportunidade de subir para a equipe adulta e sempre me chama atenção quando precisa”, revela Theo.

A evolução que ele mais destaca é a mental. “Quando eu entrei, eu era muito estressado, muito nervoso, muito quieto. Isso me ajudou a melhorar em outros aspectos, não só no vôlei, como aspectos pessoais meus, como os relacionamentos com meus pais”, conta.

Sobre a Superliga B, o objetivo é claro. “As expectativas são sempre as melhores. Primeiro, o objetivo é se classificar para os play-offs. A gente sabe que não vai ser fácil, tem muitos times bons, com muito potencial, e a gente pretende subir de novo para a elite do vôlei”, projeta.

Os técnicos: formação dando resultado

Marcus Vinicius prepara jogadores para o profissional (Foto: Leonardo Costa)

Para Marcos Vinícius Lopes, técnico da base, o momento é de celebração, mas também de atenção. Ele explica que a transição exige cuidado com o nível de exigência entre as categorias.

“Eles precisam subir o sarrafo. A gente tenta alertá-los para que mantenham o foco”, explica o treinador, que vê nas portas abertas uma mensagem para toda a base. “O que vai contar é o dia a dia de trabalho, o comprometimento, a evolução técnica.”

Sobre a prontidão do grupo, não hesita. “Com certeza eles estão preparados, porque eles esperaram a temporada inteira e anos de dedicação para ter essa oportunidade. Então eles não vão deixar escapar. Eles treinam muito bem, têm uma demanda igual a do adulto, treinam de igual para igual”, destaca.

André Silva, técnico do profissional, acompanha a evolução dos garotos desde as categorias de base — inclusive descobriu Bernardo no vôlei de areia e Pedro Henrique em Matias Barbosa. Para ele, o objetivo de longo prazo está claro.

“É gratificante ver a evolução dos meninos e poder contar com eles no time profissional. O nosso intuito chegar a um ponto que a gente consegue suprir algumas posições do nosso time profissional com a nossa base”, afirma André.

O primeiro passo, segundo o treinador, já foi dado no Campeonato Mineiro. “Ainda são jogadores sub-19, o primeiro contato é oportunizar, estar numa equipe adulta, treinando, vendo como é que é. Cada dia a gente observa a evolução, o comprometimento, isso tudo vai contar”, pondera.

André também destaca o simbolismo de ver atletas que começaram como gandulas hoje no elenco. “É gratificante, tanto como treinador como para o projeto, ver esses meninos fazerem parte e dar oportunidade também. É uma mensagem muito importante que fica para os nossos jogadores da base”, enaltece.

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