Pouco difundido no país, o adestramento canino esportivo tem um representante de peso em Juiz de Fora. No último dia 23, o estudante Thiago Monteiro, 21 anos, retornou da Filadélfia, nos Estados Unidos, onde disputou com seu pastor alemão, Comary Gengis, o Mundial de IPO (Internationale Prüfungsordnung), sigla em alemão para o triathlon canino. A competição é dividida em três provas: faro, obediência e proteção. "Foi uma experiência sensacional. Tive a oportunidade de representar o país em um Mundial, além de vencer todas as dificuldades, já que é um esporte com pouco apoio no Brasil", destacou Monteiro, que não conseguiu se classificar com Comary para as fases decisivas do IPO.
No entanto, apesar de jovem, Medeiros já possui resultados expressivos dentro do país, como o terceiro lugar no Brasileiro da modalidade, realizado em junho último, em Contagem. Ele conta que o envolvimento com animais começou cedo."Antes, eu competia com cavalos, mas depois ganhei um rottweiler e precisei adestrá-lo. Conheci o trabalho da Associação dos Criadores de Cães Pastores Alemães de Juiz de Fora (na época, ainda era o Núcleo de Criadores). Fiz um curso de capacitação e entrei. Hoje, os cachorros são tudo na minha vida, meu trabalho e lazer", explica Thiago, que passou a trabalhar como adestrador de cães e possui dez deles em sua casa, entre pastores alemães, um rottweiler e um fox paulistinha.
O triathlon canino reúne milhares de espectadores em competições na Europa. A sigla IPO corresponde ao antigo "schutzhund", que, em alemão, é a composição de duas palavras: "schutz" (proteção) e "hund" (cão), ou seja, em uma tradução livre, algo como prova do "cão de guarda". Existem três níveis de dificuldade, saindo do nível 1 para o 3, em ordem crescente de dificuldade. As grandes competições mundiais somente acontecem no grau 3, o mais avançado.
O Campeonato Mundial começou em 1975, em Salzburgo, na Áustria, e envolvia inicialmente apenas concorrentes da Europa. A competição cresceu e, em 1988, foi oficialmente declarada a "Copa do Mundo" da modalidade, com participação intercontinental e conexão com a União Mundial dos Clubes de Cães Pastores Alemães ("WUSV", na sigla em alemão). Hoje, o evento é seguido de perto por cerca de 300 mil membros dos clubes WUSV (associação que regulamenta o esporte, semelhante à Fifa no futebol).
O atleta
O pastor alemão Comary Gengis pesa 38kg bem distribuídos em 64cm de altura. Tem 3 anos de idade e, desde filhote, foi treinado para o esporte. A alimentação é balanceada, com ração duas vezes ao dia. O treinamento é pesado: três vezes por semana, sendo cada sessão com duração aproximada de 4h. "Só uso rações premium para ele. É um atleta que trabalha duro e, por isso, merece o melhor", elogia Monteiro.
Uma curiosidade sobre o treinamento do IPO é que as palavras de comando são dadas em alemão. "Em português, as palavras ‘siga’ e ‘senta’, por exemplo, são muito parecidas. Em alemão, os comandos são mais fortes e curtos. Por isso, é praticamente padrão que a língua alemã seja a utilizada pelos treinadores", explica o adestrador.
Associação
O Núcleo de Criadores de Cães Pastores Alemães de Juiz de Fora foi fundado em 1976. Desde então, os amantes da raça possuem um espaço para adestrar seus animais, controlar e organizar os cachorros-atletas. Por questões administrativas, em 2010 houve uma divisão e foi criada a Associação dos Criadores de Cães Pastores Alemães de Juiz de Fora. "Na Associação nós temos duas linhas de trabalho. A de criação, que visa a organizar os pastores, fazer verificação de ninhada e pedigree, e a outra, voltada para o adestramento, que promove cursos e provas de capacitação para treinadores e animais", explica o presidente da entidade, Eugênio Gomes. Os associados, além dessas atividades, usufruem de uma rede de convênios, com descontos na compra de rações, por exemplo.
