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Entrevista: Amaury Bitetti, ex-atleta e treinador de jiu-jítsu e MMA

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No último mês, Juiz de Fora recebeu a visita de um dos mais conceituados lutadores de jiu-jítsu de todos os tempos, Amaury Bitetti. Formado pela academia do mestre Carlson Gracie, Amaury, 43 anos, foi bicampeão mundial de jiu-jítsu na faixa preta, absoluto – categoria que engloba todos os pesos -, em 1996 e 1997, e hoje faz parte da equipe de treinadores do Team Nogueira, dos irmãos Rodrigo "Minotauro" e Rogério "Minotouro", trabalhando com estrelas brasileiras do Ultimate Fighting Championship (UFC) como Anderson Silva e Júnior Cigano.

Além disso, promove um dos mais respeitados campeonatos de mixed martial arts (MMA) do país, o Bitetti Combat. Trazido à cidade pelo amigo pessoal e mestre da academia Pumping Fight, Francisco "Passarinho" Oliveira, o ex-atleta da arte marcial japonesa que ganhou sua própria vertente brasileira com a família Gracie e também ex-lutador de MMA falou à Tribuna sobre seu início nas lutas, a turbulência no nascimento do MMA, o trabalho com as estrelas do UFC e o cenário atual do esporte no Brasil.

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Tribuna – Como foi seu início nas lutas?

Amaury Bitetti – O jiu-jítsu entrou no minha vida aos 5 anos de idade, na academia Carlson Gracie. Foi lá que conheci o Passarinho. Fazia recreação, depois, com 8 anos, comecei a competir, fui campeão carioca e não parei mais. Vivi desde o início essa expansão do jiu-jítsu e o começo também do MMA, que na época era conhecido como vale-tudo mesmo.

 

– O nascimento do MMA foi complicado, com associação à violência, e isso vem mudando. Por quê?

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– A rivalidade entre as academias de cada luta, no começo, era muito grande. Estávamos sempre competindo para mostrar que éramos superiores, não só entre nós, do jiu-jítsu, como com outras artes marciais. Tinha o pessoal da luta livre, do boxe, do muay thai. Então, tinha muita rivalidade. Invadíamos a academia dos outros e fazíamos aquelas lutas casadas, ali na hora mesmo, sem marcar campeonato nem nada. Depois isso passou, hoje em dia, todo mundo treina tudo, não há mais espaço para essa rivalidade. O cara torce é pelo atleta, que faz jiu-jítsu, faz taekwondo, faz capoeira, enfim, todas as artes que aparecerem. Isso foi legal porque amansou todo mundo e passou-se a torcer pelo lutador.

 

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– Hoje você é um dos responsáveis pela parte de chão do Team Nogueira. Como é trabalhar com algumas das estrelas do MMA mundial? Quem são os melhores do mundo hoje?

– Conheci o Rogério e o Rodrigo nos campeonatos de jiu-jítsu, já trabalhei o Anderson Silva, o Rafael Feijão, o Erick Silva… são muitos. São todos atletas superfocados e disciplinados. Todo mundo escuta muito. São diversos treinadores para cada atleta. Então, a gente procura alinhar nos treinos. Quando o trabalho é de pé, só o técnico dessa parte fala; quando é no chão, só eu falo, e assim por diante. Na hora do ringue a mesma coisa. Se está na "trocação", quem instrui é o treinador de boxe, muay thai, por exemplo; agarrou é o de wrestling (luta livre); e caiu no chão é o de jiu-jítsu. Quanto aos nomes, o Anderson está voando. Só precisa treinar tomando mais pressão, principalmente para esse combate contra o Chael Sonnen (no dia 7 de julho). O Cigano também está muito bem, com boxe afiado e melhorando no chão, e o Minotauro está voltando.

 

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– O jiu-jítsu dominou o início do MMA e hoje existem vários strikers (lutadores que acabam com o combate com apenas um golpe). O jiu-jítsu perdeu espaço no esporte?

– Na verdade, todos os strikers treinam – e muitos dominam – o jiu-jítsu. Por isso, soltam o jogo mais fácil de pé. Quem não treina jiu-jítsu não consegue soltar o jogo, porque fica sempre com medo de socar e chutar, pois não pode ser derrubado. O lutador que treina o jiu-jítsu não. Vai dar soco, chute e, se cair, está em casa. Com esses, a luta fica mais bonita.

 

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– O que você procura em um lutador que vai formar o card dos eventos que você promove?

– Busco o cartel do cara. Vejo quantas lutas ele tem, quantas vitórias, quantas derrotas. Porque isso é importante também. Como faço um GP (torneio no qual o lutador tem que lutar mais de uma vez em uma mesma noite para ser campeão), ele tem que vir de muitas vitórias, mas também ter derrota. Esse é o verdadeiro casca-grossa. Às vezes o atleta só vem de vitórias, mas contra outros que não o testaram ainda. Tem que perder, para saber o que aconteceu e dar a volta por cima.

 

– Qual o caminho a ser trilhado pelo lutador para chegar aos grandes eventos?

– Tem que começar no amador, fazer pelo menos cinco lutas amadoras para depois pegar um profissional. Não tem como lutar um UFC ou o meu evento de cara. Tem que pegar eventos locais, regionais, amadores, até mesmo usando proteção, para sentir se é bom. Se for, vai ter uma chance em eventos maiores. Hoje, montamos uma confederação, estamos iniciando a padronização e difusão das regras, além de um cadastro de todas as academias e eventos para começar a ficar o mais profissional possível, com arbitragem, regras, médicos, tudo como é feito lá fora. Com isso, ganha o público e ganha todo mundo.

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