Velho conhecido da torcida Carijó, o técnico da Caldense, Leonardo Condé, 37 anos, pode hoje conquistar o título mais importante de sua carreira se empatar ou derrotar o Atlético-MG. Nascido em Piau, mas criado em Juiz de Fora a partir dos 6 anos, o treinador vive sua melhor fase, sendo reconhecido pela imprensa nacional como um dos profissionais mais promissores de sua geração. À Tribuna, em entrevista concedida na tarde da última quinta-feira, por telefone, ele falou sobre a expectativa do confronto, seu futuro e o início de carreira como treinador.
Tribuna – Qual a sua expectativa para o confronto final?
Leonardo Condé – É positiva, um grande jogo, com uma final até que inesperada para muitas pessoas. Claro que será difícil, pois trata-se de um dos gigantes do futebol brasileiro, mas temos a expectativa de terminar a competição com o título.
– Como está o emocional dos atletas nestes dias que antecedem o jogo?
– É uma ansiedade normal em todos, por se tratar de algo que, talvez, seja um momento único na carreira de muitos dos atletas. Mas é uma ansiedade controlada. Temos um grupo de jogadores muito experiente.
– Uma equipe do interior não chega à final do Mineiro desde 2005, quando o Ipatinga saiu vencedor. Como você vê isso?
– É muito legal no sentido de valorizar o futebol do interior. Temos hoje vários times em Minas que realizam bons trabalhos, e o resultado da Caldense acaba valorizando o de outras equipes, como o próprio Tupi e a Tombense. Isso prova também que podemos ser fortes, apesar das limitações orçamentárias.
– O que você encontrou de diferente na Caldense que não teve durante suas passagens pelo Tupi?
– Sempre cito que o Tupi, com pouco orçamento e estrutura que tem, realiza grandes campanhas. Às vezes, é até mais cobrado do que deveria ser, porque é uma dificuldade muito grande fazer futebol na cidade. A Caldense, em comparação ao Tupi, tem um centro de treinamento para trabalhar, o que é fundamental. Além disso, sua parte social é muito forte, com três mil sócios que pagam em dia. E parte deste orçamento é destinado ao futebol.
– Caso vença, será o título mais importante da carreira?
– Com certeza. Tive bons resultados no Nova Iguaçu (RJ), com um título de campeão do interior do estadual e da Taça Rio, além de outras participações com juniores em competições internacionais pelo América e Atlético. Mas a possibilidade de conquistar este título me coloca em meu melhor momento na carreira.
– Como foi seu início?
– Nasci em Piau e me mudei com 6 anos para Juiz de Fora, onde está minha base familiar. De forma bem resumida, eu ajudava meu irmão em um projeto social no Granjas Bethânia e sempre levava jogadores para o Tupi, para ajudar estes meninos carentes. Os irmãos Leandro e Leonardo Salino foram os primeiros. Depois, fui convidado a ajudar nas escolinhas e, de repente, treinava o sub-13 e o sub-15 em 1998 e 1999. Disputei minhas competições da liga da cidade e, com o passar do tempo, fui me aperfeiçoando. O período na base do América e do Atlético, a partir de 2001, foi muito importante também.
– Você é destaque na imprensa nacional em razão do seu bom trabalho na Caldense. Equipes maiores já te procuram?
– Sondagens e especulações são muitas, mas não abri negociação com ninguém, pois estou com a cabeça completamente focada nesta final. Na segunda-feira, vamos conversar com a direção do clube para definir o futuro.
